Após ata do Fed, Ibovespa sobe quase 1% e dólar fecha em leve alta

Moeda norte-americana teve valorização de 0,06%, e encerrou cotada a R$ 5,438

Do CNN Brasil Business*

em São Paulo

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O Ibovespa fechou esta quarta-feira (26) em alta de 0,98%, aos 111.289,18 pontos, beneficiado pelo avanço de commodities e também pelas decisões do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) sobre encerrar suas compras de títulos antes de lançar uma redução significativa em seus ativos.

O principal índice da bolsa brasileira saiu das máximas por volta das 16 horas, horário de Brasília, em meio à fala do presidente do Fed, Jerome Powell, mas ainda fechou no maior patamar desde 18 de outubro de 2021, quando bateu 114.428 pontos.

Já o dólar teve leve alta de 0,06%, cotado a R$ 5,438, também repercutindo a ata da reunião de política monetária do Federal Reserve.

Na terça-feira (26), a moeda norte-americana fechou em queda de 1,29%, cotada a R$ 5,436. O Ibovespa teve alta de 2,1%, aos 110.203,77 pontos.

Fed

O foco dos investidores foi a ata da reunião de política monetária do banco central dos Estados Unidos. Os temores sobre o tema aliviaram nas últimas semanas após falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e um dado de inflação em linha com o esperado.

O documento não trouxe grandes novidades para os investidores, com o Fed mantendo os juros no intervalo entre 0% e 0,25%, mas afirmando que espera ter as condições necessárias para elevar as taxas “em breve”. A expectativa é de alta na reunião de março.

A perspectiva de elevação dos juros aumenta a atratividade da renda fixa sobre as ações.

Qualquer alta de juros no país afeta os investimentos no Brasil, já que torna os títulos do Tesouro norte-americana ainda mais atrativos para os investidores.

Impactos na bolsa

Na cena local, foi divulgado nesta quarta-feira o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial do Brasil. Em janeiro, ele subiu 0,58%, um valor acima das expectativas do mercado, mas com uma desaceleração ante dezembro.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa, citou uma disseminação de surpresas altistas nos setores do índice, como em aluguéis e transporte, e afirma que “a perspectiva inflacionária é muito ruim tendo em vista que as pressões altistas tenderão a perdurar pelo menos na próxima divulgação e os alívios tendem a não serem consistentes, dada as intempéries climáticas correntes”.

Já o aumento do risco fiscal pesa no cenário nacional. O texto do orçamento de 2022, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), cortou os investimentos ao menor nível da história, para R$ 42,3 bilhões, mas manteve intactas as verbas para o orçamento secreto, para o fundo eleitoral e para reajustes salariais.

Junto com a PEC dos Combustíveis, um analista de mercado define que a percepção é que o governo está partindo para o tudo ou nada, e deve caminhar para medidas mais populistas para elevar sua popularidade até as eleições.

Segundo projeção da equipe de análise da XP, a PEC pode diminuir a arrecadação entre R$ 70 bilhões e R$ 100 bilhões.

Commodities

Ao longo da semana anterior, o mercado refletiu um processo de migração por parte dos investidores para áreas ligadas a commodities e para os mercados emergentes, o que favorece o Brasil e o real. Esse cenário se manteve nesta semana, com ações da bolsa como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3 e PETR4) sendo beneficiada pelas altas do minério de ferro e do petróleo.

Expectativas de mais medidas pró-crescimento na China, enquanto pressões econômicas baixistas persistem, estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, disseram analistas.

No caso do petróleo, analistas do Goldman Sachs afirmam que os preços do petróleo Brent devem superar os US$ 100 por barril neste ano. Segundo eles, o mercado de petróleo continua em um “déficit surpreendentemente grande” já que o efeito da variante Ômicron do coronavírus na demanda pela commodity é, até agora, menor do que o que era esperado.

Ucrânia

A perspectiva de um ataque russo à Ucrânia tem representado um golpe duplo para investidores, já preocupados com o aperto da política monetária pelo banco central norte-americano. Com isso, o ambiente global é de cautela, e aversão a riscos.

Algumas nações incluindo, Estados Unidos e Reino Unido, ameaçaram impor sanções caso os russos invadam o país vizinho, embora Moscou negue que tenha planos para uma ofensiva.

Elevando a busca pela segurança do dólar, investidores têm mostrado preocupação cada vez maior com a concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia, já que as tensões aumentaram nos últimos dias.

“A tensão geopolítica entre Ucrânia e Rússia começa a afetar o apetite por risco e também contribui para o movimento de hoje dos mercados”, disseram economistas do Bradesco em relatório.

*Com informações da Reuters

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