Dólar sobe 1,5% após decisão do Fed; Ibovespa fecha em queda

Os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve decidiram hoje manter a taxa dos Fed funds na faixa entre 0% e 0,25% ao ano

Edifício do Federal Reserve em Washington, Estados Unidos (19.mar.2019)
Edifício do Federal Reserve em Washington, Estados Unidos (19.mar.2019) Foto: Leah Mills/Reuters

Manuela Tecchio e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O dólar subiu 1,50%, a R$ 5,4032 na venda nesta quarta-feira (27), após despencar 2,71% na véspera. O movimento foi influenciado pelo ambiente externo conservador, ainda por receios sobre a pandemia e agora por riscos de correção nos mercados globais após o rali dos últimos meses, em meio à sinalização do Federal Reserve

Já o Ibovespa fechou em queda de 0,5%, para 115.882 pontos, após uma sessão extremamente volátil. O índice já chegou a ensaiar perda dos 115 mil pontos pela manhã e a subir acima dos 117 mil pontos. 

Os papéis da Cielo (CIEL3) dispararam mais de 13,35% depois que a empresa reportou lucro líquido de R$ 298,2 milhões entre outubro e dezembro, aumento de 34,7% sobre um ano antes.

As ações ligadas ao turismo subiram à medida que as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro ampliaram a vacinação contra o novo coronavírus nesta quarta-feira (27), após o recebimento das doses da vacina da Fiocruz/AstraZeneca. A Embraer (EMBR3) avançou 2,2%, enquanto Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) subiram 3,7% e 5,49%, respectivamente. 

Os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decidiram hoje manter a taxa dos Fed funds na faixa entre 0% e 0,25% ao ano, o que já era esperado pelo mercado. 

O banco central dos EUA pretende manter a sua política monetária acomodatícia até que a inflação fique acima de 2% e se estabeleça neste nível por “por um tempo” de forma que as expectativas inflacionárias de longo prazo e o nível de preços se ancorem nos 2%.

No Brasil, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que, se houver uma segunda onda da pandemia do coronavírus no país, a instituição e o governo federal vão “atuar como têm que atuar”, entendendo que a economia enfrenta novas restrições pelo lado fiscal.

Isso poucas horas depois de o ministro da Economia, Paulo Guedes, defender que, caso o auxílio emergencial seja reeditado, pode haver o travamento de outras despesas. 

Bolsas internacionais

Os mercados de ações dos Estados Unidos sofreram nesta quarta-feira a maior queda percentual diária em três meses, aprofundando as perdas após a divulgação do comunicado de política monetária do Federal Reserve. Os índices foram golpeados ainda por baixa nos papéis da Boeing e por desmonte de posições compradas por fundos hedge.

O Dow Jones fechou em queda de 2,05%, para 30.303 pontos, o S&P 500 perdeu 2,57%, para 3.750 pontos, e o Nasdaq Composite caiu 2,61%, para 13.112 pontos.

As ações europeias caíram nesta quarta-feira depois que lockdowns prolongados levaram o governo alemão a reduzir sua previsão de crescimento para 2021, enquanto comentários sobre novos cortes de juros pelo Banco Central Europeu atingiram as ações de bancos.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 1,22%, a 1.554 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 1,16%, a 403 pontos, depois de se manter praticamente inalterado nas negociações da manhã, registrando sua maior queda percentual diária em mais de cinco semanas.

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta quarta-feira (27), um dia após o Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentar prognóstico mais otimista para a economia mundial este ano e também na esteira de dados chineses positivos.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,31% em Tóquio hoje, a 28.635,21 pontos, impulsionado por ações do setores imobiliário e alimentício, enquanto na China continental, o Xangai Composto teve modesta alta de 0,11%, a 3.573,34 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,28%, a 2.420,92 pontos. 

*Com Reuters e Estadão Conteúdo

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