Dólar fecha na menor cotação desde o dia 10; Ibovespa sobe 0,63%

Dólar emendou a quarta queda ante o real nesta segunda-feira, fechando em R$ 5,639, a mínima em mais de duas semanas

Mercados internacionais mantiveram o avanço da variante Ômicron do coronavírus no radar
Mercados internacionais mantiveram o avanço da variante Ômicron do coronavírus no radar Maxim Hopman/Unsplash

Por Andre Romani, da Reuters

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O dólar emendou a quarta queda ante o real nesta segunda-feira (27), fechando na mínima em mais de duas semanas, com investidores captando o dia otimista nos mercados externos após dados nos EUA sugerirem força da economia a despeito da variante Ômicron.

O dólar negociado no mercado à vista caiu 0,43%, a R$ 5,639 na venda, menor patamar desde o último dia 10 (R$ 5,613).

A cotação, assim, reverteu alta de mais cedo, quando chegou a subir 0,78%, a 5,7073 reais, ficando acima da linha psicológica de R$ 5,70.

Nesse mesmo momento, as commodities estavam em queda mais firme — o petróleo Brent, por exemplo, chegou a recuar 0,51%. Mas posteriormente, o barril ingressou num rali, com investidores esperançosos de que os casos de Covid-19 pela cepa Ômicron não esfriarão a economia global — que, assim, continuaria a demandar energia.

Por ser exportador de produtos básicos, o Brasil tem seus mercados financeiros sensíveis aos movimentos desses ativos. No fechamento, o Brent, referência para a Petrobras, saltou 3,23%, a 78,60 dólares por barril. As ações preferenciais da petrolífera brasileira subiam 1,2% às 17h18 (de Brasília) na B3.

De toda forma, receios sobre a variante Ômicron do coronavírus continuavam a ocupar lugar de destaque na lista de preocupações de investidores globais, cujo temor também inclui riscos de inflação mais alta e consequente aperto mais acelerado das políticas monetárias.

No Brasil, a última semana do ano reserva dados fiscais, que na margem devem vir melhor que o esperado.

“Os números fiscais do ano devem vir acima (melhores) do que os projetados no começo do ano, mas ao mesmo tempo com uma perspectiva fiscal muito ruim para o futuro”, ponderou Jason Vieira, economista-chefe e sócio da Infinity Asset, alertando que ainda há risco de a volatilidade atingir os mercados nestes últimos dias do ano.

O real, aliás, segue como a moeda emergente relevante mais volátil fora a lira turca, esta envolvida em uma profunda crise de confiança.

Ibovespa

O principal índice acionário da bolsa brasileira subiu 0,63% nesta segunda-feira (27), após dois pregões negativos, em linha com desempenho dos principais índices futuros de ações nos Estados Unidos.

A alta também foi influenciada pela liquidez baixa por conta dos feriados de final de ano. O setor de varejo foi destaque positivo tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, em meio a notícias sobre crescimento de vendas no final de ano.

Petrobras foi a maior contribuição positiva para o Ibovespa, que fechou com 105.554 pontos. O volume financeiro foi de R$ 13,7 bilhões, abaixo da média das primeiras sessões de dezembro, que girava entre R$ 27 bilhões e R$ 33 bilhões.

No Brasil, o mercado analisou dados e projeções para 2022. Economistas consultados pelo Banco Central reduziram suas estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país no ano que vem de 0,5% para 0,42%, enquanto para este ano houve revisão de 4,58% para 4,51%, segundo a pesquisa semanal Focus. Para a inflação, analistas reduziram projeção de 10,04% a 10,02% para 2021 e mantiveram em 5,03% para 2022.

O índice que mede a confiança da indústria no Brasil também revela cenário desafiador para o próximo ano, ao fechar 2021 com a quinta baixa mensal seguida em dezembro e no nível mais fraco desde agosto de 2020, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas.

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