Ibovespa fecha em baixa, puxado por queda da Vale; dólar fica estável

No mercado cambial, o dólar fechou cotado a R$ 5,639

Ibovespa: Bolsa brasileira somou apenas uma alta nos último três pregões completos
Ibovespa: Bolsa brasileira somou apenas uma alta nos último três pregões completos Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Da Reuters

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O principal índice da bolsa brasileira fechou em baixa de 0,65% nesta terça-feira (28), em meio a um cenário externo misto e sob influência da queda das ações de Vale, na esteira da desvalorização do minério de ferro. A sessão foi novamente de baixa liquidez.

A mineradora foi a principal contribuição negativa para o índice, enquanto a JBS ficou na ponta oposta.

O Ibovespa terminou o dia no patamar de 104.864 pontos. O volume financeiro foi de R$ 14,7 bilhões. Nos primeiros pregões do mês, o montante girava entre R$ 27 bilhões e R$ 33 bilhões.

A diminuição dos receios com a variante Ômicron da Covid-19, aliada a um otimismo de final de ano, dava suporte às bolsas na Europa nesta terça.

O Ibovespa não vem seguindo cegamente o bom humor do mercados internacionais e somou apenas uma alta nos últimos quatro pregões. Analistas destacam questões internas como o ciclo de alta de juros em andamento no Brasil e as incertezas políticas e fiscais como fatores que limitam o índice.

Na cena fiscal, está no radar do mercado a entrega de cargos por auditores da Receita Federal, na esteira de aprovação no Congresso de Orçamento de 2022 com uma reserva de R$ 1,7 bilhão para reajustar salários de policiais. Segundo o Sindifisco, a liberação desses recursos foi possível por meio de cortes nas verbas da Receita em 2022.

Contrapõem-se ao cenário de mais cautela a queda na taxa de desemprego no Brasil para 12,1% no trimestre encerrado em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ante expectativa de taxa a 12,3% em pesquisa Reuters com analistas.

Dólar

O dólar fechou praticamente estável ante o real nesta terça-feira, em sessão sem grandes catalisadores e de baixa liquidez devido à aproximação do final do ano, com a disseminação global da Covid-19 e a saúde fiscal do Brasil no radar de investidores.

A moeda norte-americana à vista teve variação negativa de 0,01%, a R$ 5,639 na venda, depois de mudar de sinal várias vezes durante as negociações, indo de 5,6210 reais na mínima (-0,32% ) para 5,6629 reais na máxima do dia (+0,41%).

O destaque da sessão, segundo participantes do mercado, foi o baixo volume de negócios devido à aproximação do final do ano, o que explicaria o vaivém da moeda visto mais cedo.

“Importante ratificar que estamos em uma semana de baixíssima liquidez nos mercados financeiros, por ser a última do ano, e acaba sendo difícil termos alguma ‘tração’ ou movimento que de fato nos traga para algum novo patamar”, disse à Reuters Fernando Bergallo, diretor de operações da assessoria de câmbio FB Capital.

“Devemos encerrar o ano assim, a despeito dos dois pregões que ainda temos na semana.”

Ele afirmou que a movimentação no mercado de câmbio local está em linha com o comportamento internacional do dólar, cujo índice frente a uma cesta de rivais fortes tinha leve alta nesta tarde, depois de passar boa parte do dia perto da estabilidade.

Com o desempenho desta terça-feira, o dólar acumula agora alta de 8,62% contra o real em 2021, faltando apenas dois pregões para o fim do ano.

Cenário externo

No exterior, o clima era de menor preocupação com a variante Ômicron do coronavírus e suas consequências econômicas, o que deu algum suporte a ativos mais arriscados, como as ações europeias e algumas moedas latino-americanas, como sol peruano e peso chileno.

O peso mexicano, importante par do real, tinha estabilidade no fim da tarde desta terça-feira.

“A pandemia está sendo lida como mais uma ‘onda’ pontual”, comentou em blog Dan Kawa, CEO da TAG Investimentos, sobre o ambiente benigno para ativos considerados arriscados, citando “cenário de curto prazo mais construtivo, mas com riscos ainda elevados e crescentes de longo prazo”.

Entre os pontos de cautela, ele apontou a inflação global e a redução dos estímulos de grandes bancos centrais.

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