Ibovespa cai com política no radar; dólar fecha em alta, mas recua 4,8% em junho

Internamente, investidores olham com preocupação para mais uma crise política no país, acelerada por denúncias de corrupção contra o governo

Foto: CNN

Matheus Prado e Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (30), puxado por uma correção global na moeda norte-americana e por realização de lucros depois de um mês inteiro de queda na cotação, que em junho teve a maior baixa mensal de 2021 e encerrou o trimestre com a mais forte desvalorização em 12 anos.

O dólar à vista subiu 0,67%, para R$ 4,9764. 

Em junho, o dólar caiu 4,77%, maior perda mensal desde novembro passado (-6,82%). No trimestre, a cotação recuou 11,62%, baixa mais expressiva desde o segundo trimestre de 2009 (-15,80%).

Na B3, as ações ligadas ao consumo caíram e puxaram a queda do Ibovespa com dados que mostraram desemprego ainda elevado no Brasil. O índice acionário recuou 0,41%, para 126.801 pontos. 

O mercado reage à taxa de desemprego no Brasil, que ficou em 14,7% de fevereiro a abril deste ano e atingiu 14,8 milhões de pessoas, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

Com o desemprego em alta, o varejo teve um dia ruim na bolsa. As ações da B2W (BTOW3) tiveram a maior queda do dia, com recuo de 3,8%. Lojas Americanas (LAME4) caiu 2,88% e Magazine Luiza (MGLU3) teve desvalorização de 2,4%. 

Internamente, investidores olham com preocupação para mais uma crise política em Brasília.

Um grupo amplo composto por parlamentares, líderes sociais, partidos políticos, movimentos populares e coletivos protocolou nesta quarta-feira (30) um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O aumento da tarifa de energia, o avanço da reforma tributária e o depoimento do empresário Carlos Wizard à CPI da Pandemia também estiveram na pauta dos investidores.

Globalmente, o apetite por risco tem sido prejudicado pelo avanço da variante delta do coronavírus pelo mundo. A cepa, que se originou na Índia, está levando vários países a endurecer protocolos sanitários em mais uma tentativa de conter a pandemia da Covid-19.

Lá fora

O S&P 500 registrou nesta quarta-feira sua quinta sessão consecutiva com máximas recordes de fechamento, à medida que investidores terminaram o mês e o trimestre ignorando dados econômicos positivos e mirando no amplamente aguardado relatório de empregos dos Estados Unidos, que será publicado na sexta.

O Dow Jones fechou em alta de 0,61%, a 34.502 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,13%, a 4.297 pontos, e o Nasdaq Composite recuou 0,17%, a 14.503 pontos.

O Relatório Nacional de Emprego da ADP mostrou que a criação de vagas no setor privado dos EUA somou 692 mil empregos este mês, ante 886 mil postos abertos em maio, à medida que as empresas lutavam por trabalhadores de forma a atender a um aumento na demanda com a reabertura rápida da economia.

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em alta, seguindo o tom levemente positivo de Wall Street ontem, com investidores digerindo novos dados sobre a atividade manufatureira chinesa e notícias sobre a disseminação da variante de origem indiana do coronavírus.

Na China continental, o dia nos mercados acionários foi de ganhos, liderados pelos setores de eletrônicos e de tecnologia da informação. O Xangai Composto subiu 0,50%, a 3.591,20 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,02%, a 2.466,24 pontos.

O chamado índice de gerentes de compras (PMI) industrial chinês recuou marginalmente entre maio e junho, de 51 para 50,9, segundo pesquisa oficial, mas ficou acima da expectativa de analistas, que previam queda a 50,7. A leitura não muito distante de 50 indica que a manufatura da segunda maior economia do mundo se expande em ritmo bem modesto.

Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi se valorizou 0,30% em Seul hoje, a 3.296,68 pontos, e o Taiex registrou alta de 0,89% em Taiwan, a 17.755,46 pontos.

Por outro lado, o japonês Nikkei teve ligeira baixa de 0,07% em Tóquio, a 28.791,53 pontos, e o Hang Seng caiu 0,57% em Hong Kong, a 28.827,95 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou a sessão com modesta valorização, apesar de recentes lockdowns adotados em grandes cidades do país em função de surtos relacionados à delta. O S&P/ASX 200 avançou 0,16% em Sydney, a 7.313,00 pontos. 

 

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

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