Ibovespa registra o maior patamar em quase um mês; dólar encerra em alta

Moeda norte-americana fechou a R$ 5,69, nova máxima em quase oito meses frente ao real

Telão na bolsa paulista mostra flutuações do mercado
Telão na bolsa paulista mostra flutuações do mercado Reuters/Nacho Doce

Da CNN Brasil

Ouvir notícia

O Ibovespa operou em alta na tarde desta segunda-feira (6), em meio à alta nas ações nos Estados Unidos. Os papéis da Petrobras estavam no radar, após fala do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre combustíveis.

Além disso, mercado segue atento ao desenrolar da PEC dos Precatórios no Congresso e à decisão de taxa de juros no Brasil nesta semana, além das atualizações sobre a variante Ômicron.

O principal índice da bolsa de valores fechou com valorização de 1,70%, aos 106.858,67 pontos, a maior alta de 11 de novembro (107.595 pontos).

O dólar fechou em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,692, uma nova máxima em quase oito meses frente ao real.

Sobe e desce da B3:

Veja os principais destaques do pregão de hoje:

Maiores altas

Gol (GOLL4) +11,34%
Azul (AZUL4) +10,57%
Braskem (BRKM5) +9,75%
Americanas (AMER4) +7,26%
Lojas Americanas (LAME4) +6,24%

Maiores baixas

Méliuz (CASH3) -11,70%
Rede D’Or (RDOR3) -3,22%
Rumo (RAIL3) -2,76%
Hapvida (HAVP3) -1,75%
Cosan (CSAN3) -2,15%

Cenário brasileiro

A Petrobras disse nesta manhã que não antecipa as decisões de reajuste de combustíveis. “A redução no preço dos combustíveis será automática e deve ser anunciada nos próximos dias, até o final de dezembro. A redução na Petrobras vai ocorrer porque o valor do petróleo Brent no exterior está caindo”, ressaltou Bolsonaro à CNN.

Lucas Monteiro, trader de multimercados da Quantitas, diz que começa a se criar para o Ibovespa “um ambiente onde, talvez, a gente esteja começando a enxergar uma virada de movimento, onde aquela tendência de queda que vinha desde julho e agosto, esteja começando a mudar”.

Segundo Monteiro, a pressão sobre o Ibovespa tem refletido receios especialmente sobre a questão fiscal, mas “talvez tenha ido um pouco além do que os fundamentos mostravam.” Na semana passada, o índice renovou a mínima intradiária do ano e por pouco não rompeu a casa dos 100 mil pontos em 30 de novembro.

Ômicron

Os Investidores também continuavam monitorando o noticiário em torno da recém-detectada variante Ômicron do coronavírus, já que ainda não há clareza sobre qual será seu impacto sanitário e econômico ao redor do mundo.

O diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, disse, à CNN, que os dados até agora sugerem que a variante não está causando quadros mais graves da Covid-19.

“Mas realmente temos que ter cuidado antes de fazer qualquer determinação de que é menos grave ou realmente não causa nenhuma doença grave comparável à Delta. Mas até agora, os sinais são um pouco animadores em relação à gravidade”, comentou.

Até o momento existem seis casos da variante no Brasil.

PEC dos Precatórios

No Brasil, o cenário político-fiscal também segue no radar nesta reta final de 2021, antes de um 2022 provavelmente difícil para os mercados domésticos. Estrategistas do Citi disseram em relatório nesta segunda-feira que “as eleições presidenciais (do ano que vem) devem ter relevância cada vez maior nos preços dos ativos, dada sua relação próxima com os riscos fiscais”.

Nos últimos meses, a trajetória das contas públicas brasileiras tem sido motivo de forte preocupação, em meio à pressão do governo por mais gastos com auxílio à população em 2022, quando o presidente Jair Bolsonaro deve tentar a reeleição.

A PEC dos Precatórios, recentemente analisada pelas duas Casas do Congresso, abriria espaço fiscal para o pagamento de pelo menos 400 reais por família sob o programa Auxílio Brasil no ano que vem. A proposta sofreu alterações na votação no Senado e por isso retornou à Câmara. Investidores estão agora de olho nas discussões em torno da promulgação das partes do texto aprovadas sem alteração, no chamado “fatiamento” do projeto.

Dólar

O dólar devolveu completamente as perdas registradas mais cedo nesta segunda-feira, chegando a tocar R$ 5,70 no pico da sessão, à medida que a possibilidade de aumentos antecipados de juros nos Estados Unidos ofuscava expectativas de investidores em torno da reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central desta semana, que se encerra na quarta.

A moeda norte-americana à vista fechou o último pregão, na sexta-feira, em alta de 0,34%, a R$ 5,678, máxima desde 13 de abril passado (R$ 5,717).

Taxa Selic

A expectativa em pesquisa da Reuters é de que o BC eleve a taxa Selic, atualmente em 7,75% ao ano, em 1,50 ponto percentual.

Juros maiores num determinado país tendem a elevar a atratividade de sua moeda, uma vez que aumentam a rentabilidade de se investir no mercado de renda fixa local.

“A decisão sobre a alta de juros no Brasil já tem sido precificada em 1,5 (ponto percentual). Isso faz o investidor externo olhar de novo para o Brasil e trazer recursos”, explicou Lucas Schroeder, diretor de operações da Câmbio Curitiba.

No entanto, disse ele, “a gente acaba tendo que disputar com os Estados Unidos”.

Fed

Sua fala diz respeito a sinalizações recentes de várias autoridades do Federal Reserve (Fed) de que o banco central norte-americano está preparando o terreno para acelerar o ritmo de redução de seus estímulos e possivelmente antecipar aumentos de juros para 2022, o que poderia limitar o efeito do ciclo de alta da Selic sobre o mercado de câmbio doméstico.

O próprio chair do Fed, Jerome Powell, disse na semana passada que acredita ser apropriado discutir na próxima reunião do banco central o encerramento total de seu programa de compras de títulos alguns meses mais cedo do que o esperado, em meio a sinais de persistência da inflação alta nos EUA. Isso poderia abrir caminho para alta nos custos dos empréstimos.

“Competir com (aumentos de) juros nos Estados Unidos é difícil, porque investir lá é muito seguro; a maior economia do mundo não dá calote”, disse Schroeder.

*Com Reuters

 

Mais Recentes da CNN