Mercados reagem à disparada no petróleo; reajuste de servidores segue no radar

Disparada no preço do barril de petróleo sinaliza pressão global sobre inflação e aumenta expectativa de menor crescimento da economia no mundo

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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Os mercados operam nesta quarta-feira (19) de olho na disparada no preço do petróleo e na pressão sobre a inflação.

Começando pelo cenário no exterior, o mercado amanhece mais calmo depois das fortes quedas sentidas na terça-feira (18), e os futuros americanos têm leve alta.

Os índices caíram bastante ontem, com o petróleo batendo a máxima em sete anos. o barril do tipo Brent segue subindo cerca de 1% pela manhã, acime dos US$ 88. A alta das commodities reforça a leitura de inflação global pressionada, e eleva a expectativa de mais aumento de juros e menor crescimento econômico no mundo.

Nesse cenário, as taxas sobem na renda fixa e bolsas perdem atratividade. As taxas dos Treasuries, títulos públicos de dez anos do governo americano, se aproximam de 1,9%, maior patamar em dois anos. Sobem também as apostas de quatro altas de juros nos Estados Unidos em 2022, com alguns analistas apostando até em cinco ou seis altas.

Na Europa, bolsas sobem levemente pela manhã, seguindo a correção em Nova York. Destaque para inflação na Alemanha em 2021, que bateu a maior alta anual desde 1993, e para a inflação do Reino Unido, a maior desde 1992.

Investidores também monitoram a tensão na Ucrânia. O porta-voz da Casa Branca disse que a Rússia pode atacar a ucrânia a qualquer momento.

Na Ásia, bolsas fecharam em queda, refletindo o sentimento de cautela no exterior.

Brasil

Vindo para o Brasil, o Ibovespa se descolou do exterior e subiu na véspera. Como um terço da bolsa brasileira é formado por ações ligadas a commodities, o Ibovespa sobe com a rotação de investidores dos Estados Unidos para países emergentes e para as commodities.

A Petrobras, que tem peso de 10% no Ibovespa, também vem ajudando. Com o petróleo na máxima, a empresa acumula seis altas seguidas e avanço de 13% em seis dias.

Por outro lado, investidores monitoram a pressão dos servidores federais por reajustes. Ontem, as categorias fizeram paralisações, mas o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse que não há espaço para aumentos.

A fala de Mourão reforça a tese de alguns economistas de que o governo pode não conceder reajuste, e pode usar como saída o argumento de que o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) já disse que, se houver aumento para uma categoria, haveria problema com todas. Novas mobilizações estão previstas para as próximas semanas, então é cedo para cravar um desfecho.

Ibovespa futuro sobre 0,87% pela manhã, a 108.147 pontos. O dólar cai 0,4%, a R$ 5,53. E o S&P 500 Futuro tem alta de 0,26%, a 4.589 pontos.

Agenda do Dia

No Brasil, tem os dados do fluxo cambial, às 14h30. Nos Estados Unidos, saem os dados do setor de construção e de estoques de petróleo. De noite, tem decisão de política monetária, na China.

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