Mercados reagem à tensão na Ucrânia; no Brasil, orçamento volta a preocupar

Fortes quedas são sentidas nas bolsas ao redor do mundo, com tensões entre Rússia e Ucrânia e pessimismo no mercados dos EUA

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

Ouvir notícia

Os mercados globais operam nesta sexta-feira (21) em campo negativo, com tensões na Ucrânia e pessimismo no mercado americano. No Brasil, o destaque do dia é a pressão sobre os gastos da União.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que o governo esta preparando uma PEC para diminuir os preços de combustíveis e de energia elétrica, zerando impostos federais, Pis e Cofins. Segundo projeção da equipe de análise da XP, a PEC pode diminuir a arrecadação entre R$ 70 bilhões e R$ 100 bilhões.

Hoje é o último dia para o presidente sancionar o orçamento de 2022. O presidente terá que fazer um corte de R$ 9 bilhões para recompor despesas que foram subestimadas pelo congresso.

Analistas observam quais despesas serão remanejadas e se apontam para mais risco fiscal. A perspectiva é que o Bolsonaro poupe emendas de parlamentares de aliados do governo e a verba do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões.

O mercado também fica de olho na decisão sobre como o governo vai destinar R$ 1,7 bilhão previsto para reajustes salariais, em meio a pressão de categorias do funcionalismo.

O Ibovespa Futuro cai 0,54%, a 109.063, com o dólar subindo 0,71%, a R$ 5,41. O S&P 500 Futuro cai 0,5%, a 4.460 pontos.

Na véspera, o Ibovespa mais uma vez descolou das bolsas estrangeiras e subiu 1%, chegando perto dos 110 mil pontos. O fluxo de investidores globais para bolsas emergentes e commodities vem ajudando a bolsa.

Exterior

As bolsas americanas fecharam ontem em mais um dia de queda e índices futuros seguem em baixa pela manhã.

Além da cautela sobre a reunião do Banco Central americano, que acontece na semana que vem, indicadores econômicos fracos vêm pesando sobre as bolsas nos Estados Unidos. Com isso, investidores estão migrando recursos para outros mercados em busca de ganhos, o que o mercado chama de rotação.

Ontem, saiu o dado de pedidos de seguro-desemprego nos EUA, mostrando elevação de 230 para 286 mil na semana passada, o maior número desde outubro de 2021.

O balanço fraco da Netflix, com projeções de assinantes que desanimaram os investidores também pesa. As ações caem 20% no pre-market, negociações que antecedem o pregão.

Um dos fatores que mais pesam sobre o mercado e desencadearam uma onda de vendas de ativos é a escalada de tensão na Ucrânia, com a noticia de que os Estados Unidos permitiram que os países bálticos da OTAN enviem armas para a Ucrânia.

Hoje, os mais altos diplomatas da Rússia e dos Estados Unidos se encontram, mas os russos já disseram que não esperam avanço nas negociações com a OTAN.

Na Europa, os índices caem, repercutindo o clima de mau-humor nos Estados Unidos e as tensões geopolíticas com a Ucrânia. Também pesa a divulgação da inflação ao consumidor da zona do euro, que atingiu 5% no ano contra ano, a maior taxa em 31 anos.

Na Ásia, índices fecharam em queda, refletindo o pessimismo em Nova York.

Agenda do Dia

Às 9h30 tem o discurso de Christine Lagarde, presidente do Banco Central europeu e os dados de confiança do consumidor relativa a janeiro na zona do euro.

Nos Estados Unidos, tem discurso de Janet Yellen, presidente do Federal Reserve.

Mais Recentes da CNN