Mercados repercutem decisão monetária nos EUA e relatório de inflação no Brasil

Postura do Banco Central Americano quanto aos juros e Relatório de Inflação do Brasil movimentam a economia desta quinta-feira

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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Os mercados ainda repercutiam nesta quinta-feira (16) os efeitos da decisão monetária do Fed, nos EUA, anunciada na véspera, além do Relatório de Inflação do Banco Central brasileiro.

Começando pelo exterior, como já era esperado, o Comitê de Política Monetária do Banco Central americano (Fomc), manteve a taxa de juros entre 0 e 0,25% e dobrou o ritmo de retirada dos estímulos, de US$ 15 bilhões para US$ 30 bilhões.

O BC americano também indicou que vai fazer três elevações de juros no ano que vem. Dessa forma, as altas devem ser antecipadas, mas a taxa final não mudou muito, de 1,75 para 2,25%.

A postura do Fomc foi vista como mais agressiva, mas a fala do presidente Jerome Powell foi vista como mais suave.

Powell disse em coletiva que a retirada de estímulos deve acabar em março, mas os juros só vão subir quando for preciso. Como as decisões não trouxeram grande surpresa e o tom de Powell foi mais suave, investidores ficaram aliviados e o mercado reagiu com alta.

Na Ásia, as bolsas fecharam em alta. Já na Europa, índices sobem pela manhã, refletindo o clima de alívio em Nova York.

Brasil

Vindo para o Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou, em segundo turno, a segunda parte da PEC dos Precatórios. Os deputados desistiram de fazer grandes mudanças no texto.

Com isso, a proposta não precisa passar por nova análise do Senado e deve ser promulgada nesta quinta-feira (16), quatro meses após ter sido apresentada pelo governo.

O mercado avalia a proposta como ruim para as contas da União, mas o avanço da PEC vem impulsionando a bolsa, já que investidores temiam um plano B que trouxesse mais gastos públicos.

A Câmara também aprovou a BR do Mar, que incentiva a navegação costeira para reduzir a dependência das rodovias. O texto segue para sanção presidencial.

Seguindo o mutirão de votações de fim do ano, a Câmara analisa ainda hoje o Refis para pequenas empresas. Para terminar, foi adiada novamente a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), sobre a privatização da Eletrobras.

O Ibovespa Futuro sobe 1,12%, a 110.208 pontos, com o dólar em queda de 0,17%, a R$5,68. O S&P Futuro também vive alta de 0,68%, a 4.741 pontos.

Agenda do Dia

Acabou de ser divulgado o Relatório trimestral de Inflação do Banco Central (BC). Os destaques foram a revisão do PIB de 4,7 para 4,4% este ano e de 2,1 para 1% em 2022. A projeção do mercado para o ano que vem era 0,5% menor. As previsões de inflação subiram para 10,2% este ano e para 4,7% ano que vem.

O BC ressalta que o PIB do terceiro trimestre veio abaixo do esperado e dados indicam recuo da atividade em setembro e outubro. Apesar de destacar que os juros altos desestimulam a economia, por isso as revisões do PIB foram feitas para baixo, o relatório diz que a agropecuária e a normalização no setor de serviços e no mercado de trabalho, devem ajudar a atividade. Às 11h, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participa de coletiva de imprensa.

Hoje tem mais agenda importante no exterior. Os Bancos Centrais na Europa, Turquia e México divulgarão novas decisões sobre juros. O Banco Central inglês acabou de elevar os juros para 0,25%, surpreendendo o mercado.

Nos Estados Unidos serão divulgados os dados de pedidos de seguro-desemprego e dados sobre construções de moradia.

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