Mesmo com reabertura, faturamento de lojistas de shoppings cai 70%, diz pesquisa

Segundo pesquisa da Alshop, a circulação de pessoas nos estabelecimentos caiu cerca de 60% em relação aos dados anteriores às medidas de isolamento

Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista, fechado em março
Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista, fechado em março Foto: FÁBIO VIEIRA - 19.mar.2020/FOTORUA/ESTADÃO CONTEÚDO

Carolina Figueiredo, da CNN em São Paulo

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Lojistas de shopping centers tiveram queda de até 70% no faturamento durante a reabertura do comércio em várias partes do Brasil, mostra pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) nesta quinta-feira (4).

Segundo a pesquisa, feita com 103 associados à Alshop, a circulação de pessoas nos estabelecimentos caiu cerca de 60% em relação aos dados anteriores às medidas de isolamento. 

“A queda do movimento já era esperada por conta do receio natural de sair, com a recomendação da população ficar em casa, e com a queda de renda e desemprego que são consequências da crise causada pelo novo coronavírus”, disse Nabil Sahyoun, presidente da Alshop. 

A associação afirma que, atualmente, pouco menos da metade dos 577 shoppings do país já retomaram suas atividades. No estado de São Paulo, 40 empreendimentos foram reabertos no interior. Na capital, os protocolos com 20 medidas sanitárias solicitado pela prefeitura para que os shoppings possam abrir já foram entregues, segundo a Alshop. A associação aguarda resposta da prefeitura para poder reabrir as lojas.

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São Paulo

A entidade solicita que a reabertura na capital paulista tenha o horário estendido, das 12h às 20h, e não somente por 4 horas, como define o plano de reabertura da prefeitura. A Alshop defende que as atividades logísticas, o deslocamento dos colaboradores e a nova rotina de higienização não permitem um tempo de abertura tão curto, além de poder causar aglomerações.

“Nossa prioridade é com a vida das pessoas, dos colaboradores e clientes, mas sem nenhum faturamento e com os empecilhos de se obter crédito, teremos dificuldade para combater os efeitos da pandemia”, disse Sahyoun.
   
O presidente da entidade acusa a prefeitura de São Paulo de não atender como deveria os lojistas que pedem pelas medidas de reabertura. Segundo ele, os comerciantes adotam todas as medidas sanitárias, e ainda assim não foram autorizados a reabrir.

“No transporte público, a aglomeração é latente, e não há nenhum protocolo rígido de higienização bem como o comércio nos bairros sem fiscalização e sem medidas sanitárias de proteção”, afirmou.

A Alshop representa 105 mil lojistas em todo o país, e pede que as autoridades municipais e estaduais aprovem as mesmas regras de funcionamento aplicadas aos supermercados e farmácias aos shoppings. 

“Os protocolos dos shoppings que serão seguidos pelos lojistas são rígidos e inspirados na experiência internacional que estão retomando suas atividades comerciais. Aqui ultrapassamos 80 dias com as lojas fechadas, sendo que 15 mil lojas não devem mais reabrir com a extensão da crise”, disse Sahyoun. 

Outro lado

Segundo a Prefeitura de São Paulo, as normas e os horários autorizados pelo Plano São Paulo, que define as regras para as reaberturas, foram definidos com base em critérios científicos para preservar a saúde da população. 

A administração municipal disse que o sistema de transporte público segue protocolo sanitário e o uso de máscara é obrigatório na cidade. A prefeitura também afirmou que o setor de fiscalização municipal tem orientado e aplicado sanções aos comerciantes que descumprem as regras em vigor.

O processo de reabertura gradual da economia em São Paulo já foi iniciado com as empresas autorizadas pelo Plano São Paulo a reabrir. A partir de amanhã (5), estarão autorizadas a reabrir concessionárias e escritórios de serviços, que, segundo a prefeitura, tiveram os protocolos sanitários aprovados pela Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde).

 

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