Ministério Público abre investigação para apurar alta de 17,8% nas ações da IRB

A suspeita do MPF é de que os papéis da companhia tenham sofrido impacto semelhante ao que ocorreu com as ações da empresa GameStop, nos EUA

Foto: Reuters/Leonardo Benassatto

Washington Luiz, colaboração para o CNN Brasil Business

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O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para apurar possíveis crimes na alta de 17,82% registrada nos ativos do IRB Brasil Resseguros negociados em 28 de janeiro. Na ocasião, a própria bolsa realizou uma intervenção para neutralizar a oscilação. 

A suspeita do MPF é de que os papéis da companhia tenham sofrido impacto semelhante ao que ocorreu com as ações da empresa GameStop, nos Estados Unidos, cujo valor foi inflado por meio da compra articulada por milhares de investidores individuais. 

No caso do IRB, o órgão diz que há indícios de que investidores individuais articularam a compra massiva das ações da companhia naquele dia por meio de um aplicativo de mensagens e fóruns da internet. A prática pode caracterizar crime de manipulação do mercado, tipificado no artigo 27-C da Lei nº 6.385/1976.

 

A principal característica desse movimento é a compra orquestrada de ativos quando há previsão de queda no mercado. 

“Comumente papéis desse tipo são negociados por fundos que pretendem obter ganhos em operações a descoberto, nas quais essas ações são ‘alugadas’ de outros investidores e vendidas na bolsa, apostando-se na sua desvalorização. Caso a tendência de baixa se confirme, o lucro configura-se na diferença entre o preço de venda e o de reaquisição dos ativos, que então são devolvidos aos ‘locadores’. Porém, essas flutuações podem ser alteradas se outros investidores combinarem entre si a compra dos papéis para inverter a queda esperada, gerando uma tendência artificial de elevação do valor”, detalha o MPF. 

Em relação à GameStop, essa prática coordenada fez com que as ações subissem mais de 1.600% na bolsa de Nova York em janeiro. 

Além dos investidores, o MPF apura também a conduta da bolsa brasileira, que fez um leilão contínuo de papéis do IRB no dia 29 para conter a valorização. O procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelo procedimento instaurado, solicitou informações à presidência da B3, empresa que gerencia o mercado de ações no Brasil, para que esclareça a iniciativa e dê os fundamentos da decisão de interferir nas negociações.

O prazo para a B3 prestar as informações é de 15 dias, o mesmo concedido para a manifestação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a conduta dos investidores. O MPF solicita que o órgão indique se já houve a instauração de processo administrativo para apurar os fatos e quais dispositivos regulamentares teriam sido violados, em tese. 

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