Ministro de Minas e Energia nega uso tardio de usinas termelétricas

Durante inauguração de linha de transmissão em Minas Gerais, Bento Albuquerque declarou que acionamento “começou na hora que tinha que começar”

Jaqueline FrizonCamille Coutoda CNN

em Janaúba (MG) e no Rio de Janeiro

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Diante da maior crise hídrica dos últimos 91 anos, o ministério de Minas e Energia inaugurou uma linha de transmissão na cidade de Janaúba, em Minas Gerais, na manhã deste sábado (11). O evento contou com a participação do ministro Bento Albuquerque.

A nova linha integra o sistema de transmissão de energia elétrica dos estados da Bahia e de Minas Gerais, com subestações e linhas de transmissão ultrapassando esses dois estados, em um percurso de 542 quilômetros.

“Estamos tentando preservar os nossos reservatórios ao máximo. A questão de chegar muito baixo não é tão relevante, evidentemente gostaríamos de ter mais água em nossos reservatórios. O importante é termos a governança do sistema para que depois possamos reencher esses reservatórios ao longo do tempo”, disse o ministro.

O projeto terá papel importante na adequação do sistema de transmissão no sul da Bahia, escoando a energia das fontes de geração eólicas e solares até os principais centros de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Durante o evento, que contou também com a presença diretor-geral do Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, e o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, o ministro disse que a nova linha de transmissão é fundamental neste momento desafiador, e vai somar às medidas que já vêm sendo tomadas desde outubro do ano passado, quando foi verificado que a hidrologia estava muito baixa, a menor da história do país.

“Estamos trazendo energia da região Nordeste para abastecer as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do país, com energias eólica e solar que têm batido recorde de geração no Nordeste. Se não tivéssemos essa linha de transmissão, poderíamos estar perdendo 1.300 megawatts de energia. Isso é abastecimento de milhões de pessoas. Isso mostra que a nossa matriz, apesar de termos ainda uma dependência de 61% de energia hidráulica, foi diversificada ao longo do tempo.”

O ministro citou também outras medidas adotadas, como a importação de energia da Argentina e do Uruguai, em outubro, além da utilização de termoelétricas a diesel, gás natural e óleo combustível, com intuito de preservar o sistema hidráulico.

Ainda sobre as termelétricas, Bento Albuquerque negou que elas tenham sido acionadas tardiamente. “Começou na hora que tinha que começar. Quem faz essa crítica de que foi tardio não conhece o sistema ou o setor elétrico brasileiro”, declarou.

O projeto inaugurado neste sábado em Minas Gerais é de responsabilidade da empresa Taesa (Transmissora Aliança de Energia Elétrica), e teve um investimento de cerca de R$ 1 bilhão, com a promessa de possibilitar o maior escoamento de energia renovável entre as regiões brasileiras.

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