Montadoras e fornecedores de peças do Mercosul cobram evolução de acordo com a UE

A avaliação é a de que o acordo sairá "cedo ou tarde", forçando a região a avançar numa agenda de competitividade

Trabalhadores em linha de montagem de fábrica de automóveis em São Bernardo do Campo (13.AGO.2013)
Trabalhadores em linha de montagem de fábrica de automóveis em São Bernardo do Campo (13.AGO.2013) Foto: Nacho Doce/Reuters

Eduardo Laguna, do Estadão Conteúdo

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Dirigentes da indústria automotiva do Brasil e da Argentina cobraram nesta segunda-feira (16) evolução mais rápida do acordo comercial do Mercosul com a União Europeia, levando em conta o maior acesso que o setor terá às tecnologias desenvolvidas na Europa e o desejo de maior integração do bloco na economia global.

A avaliação é a de que o acordo sairá “cedo ou tarde”, forçando a região a avançar numa agenda de competitividade que precisa ser endereçada tendo ou não carros europeus como concorrentes.

O tratado comercial com o bloco do Velho Continente foi assinado há dois anos e está em fase de validação. Porém, a criticada política ambiental brasileira é motivo de resistência de parlamentares europeus a ratificar o acordo.

 

Entidades que representam montadoras instaladas, respectivamente, no Brasil e na Argentina, a Anfavea e a Adefa mostraram hoje, em congresso virtual da Autodata, consenso a favor do acordo com os europeus.

Os presidentes das duas entidades lembraram da agenda que vem sendo trabalhada em conjunto em prol da competitividade da produção regional.

Para o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, é “fundamental” ao futuro da indústria automotiva local a confirmação do acordo comercial com os europeus. Além de lembrar que o tratado prevê implementação em etapas, o que favorece o planejamento, o porta-voz da indústria de veículos do Brasil julgou que o acordo será importante para trazer ao País as tecnologias automotivas desenvolvidas na Europa.

“Temos que conversar com o governo para reforçar como é importante acelerar o processo” comentou Moraes, para quem chegou a hora de o acordo comercial ser formalizado pelos parlamentos da Europa e do Mercosul.

Na avaliação de Daniel Herrero, presidente da Adefa, o acordo com a União Europeia não torna inviável a produção de automóveis pelos maiores países da América do Sul. “Trabalhamos na agenda comum de fortalecer a competitividade regional para competir numa economia mais global. Cedo ou tarde, o acordo vai chegar e temos que estar prontos”, sustentou Herrero. Ele acrescentou que “estar pronto” significa não apenas ter condição de concorrer em preços com carros europeus, mas também evoluir em direção a uma indústria sustentável e de baixo carbono.

Do lado dos fornecedores, Raúl Amil, presidente da Afac, associação que representa a indústria de autopeças na Argentina, endossou a visão de que indústria sul-americana precisa evoluir na agenda pró-competitividade e produtividade independentemente do acordo, que, conforme concordou, será sacramentado em algum momento. “As coisas que temos que fazer para a indústria da região ser um ator global vão além do acordo”, assinalou.

Presidente do Sindipeças, entidade da indústria brasileira de componentes automotivos, Dan Ioschpe foi na mesma linha e complementou que o acordo com a União Europeia está maduro, podendo ser também referência para tratados semelhantes com outros mercados, de modo que a integração do Brasil no comércio internacional seja mais rápida. “Não há nenhum acordo mais maduro do que o acordo com a União Europeia, e ele representa uma mudança de jogo para Brasil e Mercosul.

Precisamos, do nosso lado, mostrar ao governo brasileiro a importância de concluir o acordo, e fazer a difusão desse método com outras regiões para o Brasil se inserir mais rápido no mundo”, disse Ioschpe durante o congresso da Autodata que colocou em discussão os desafios ao fortalecimento da indústria automotiva do Mercosul.

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