Mulher Maravilha x Soul: a maior guerra de bilheteria de 2020 está no streaming

Depois que a pandemia acabou com a operação dos cinemas, estúdios de Hollywood tiveram que encontrar novos meios de realizar seus lançamentos

Wonder Woman: Cena de 'Mulher Maravilha 1984', em estreia no streaming e nos cinemas neste Natal
Wonder Woman: Cena de 'Mulher Maravilha 1984', em estreia no streaming e nos cinemas neste Natal Foto: Divulgação

Frank Pallotta, do CNN Business

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Dezembro sempre foi um dos meses de maior bilheteria de Hollywood. Filmes de sucesso como a trilogia “O Senhor dos Anéis”, “Avatar” e os filmes da franquia “Star Wars”, da Disney, alcançaram números impressionantes em suas estreias durante a temporada de férias.

Em 2020, a tendência vai continuar com a esteia de dois dos filmes mais esperados do ano no fim de semana de Natal: “Mulher Maravilha 1984” e “Soul” disputam a atenção dos telespectadores. É a clássica batalha dos campeões de bilheteria que vimos nos últimos anos. Mas, desta vez, há uma grande diferença: esse confronto não será nas bilheterias de cinema, mas, sim, nas salas de estar.

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“Mulher Maravilha 1984”, a sequência da super-heroina vivida por Gal Gadot, estreia na HBO Max — e nos cinemas — no dia de Natal (25 de dezembro), enquanto “Soul”, animação da Pixar abrilhantada pelos talentos vocais de Jamie Foxx e Tina Fey, estreia exclusivamente na Disney +. Ambos estarão disponíveis gratuitamente para assinantes.

Sem as medidas tradicionais de sucesso, como vendas de bilheteria ou aluguel sob demanda, talvez nunca saibamos qual filme foi de fato o mais popular em termos de público ou mesmo em resultados financeiros. Em vez disso, o confronto é um símbolo perfeito de quanto as coisas mudaram radicalmente em Hollywood neste ano e o quanto podem continuar a mudar em 2021.

Guerra de bilheteria na sala de estar

“Sem a capacidade de levar esses filmes aos cinemas com as tradicionais campanhas de marketing global, esses dois títulos estão se voltando para a única opção viável que seus estúdios têm agora: salas de estar”, disse Shawn Robbins, analista-chefe da Boxoffice.com, à CNN Business.

“Esta é uma situação que ninguém poderia ter previsto um ano atrás. Estamos falando de uma circunstância extraordinariamente única que afetou duas marcas fundamentais no mundo do entretenimento.”

Robbins acrescentou que, para os consumidores, ter esses filmes disponíveis em serviços de streaming é uma forma de “tomar cuidado” (com a pandemia) e, ao mesmo tempo, obter “entretenimento edificante”. Para os estúdios, é uma forma de “testar formas de realizar lançamentos futuros”

Isso é verdade especialmente para os dois estúdios por trás dos filmes: Warner Bros e Disney.
Dois dos mais antigos selos de Hollywood, as empresas mergulharam de cabeça no mercado de streaming neste ano, quando a pandemia do coronavírus interrompeu as produções de Hollywood e acabou com a operação dos cinemas.

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WarnerMedia, Warner Bros. e a controladora da CNN anunciaram no início deste mês que todos os filmes de 2021 do estúdio estreariam na HBO Max e nos cinemas no mesmo dia. “Mulher Maravilha 1984” marca o início dessa estratégia.

Para não ficar para trás, a Disney anunciou vários filmes para Disney + no início deste mês e experimentou seu remake de grande orçamento de “Mulan”, colocando-o em seu serviço de streaming por um adicional de US$ 30. O estúdio vai tentar essa estratégia, que chama de “Premier Access”, novamente em março, com o filme de animação “Raya e o Último Dragão”.

Tudo isso após um ano em que Hollywood experimentou seu futuro sob demanda. A Universal deu início à tendência em abril, após o surto de coronavírus, lançando o “Trolls World Tour” diretamente no digital. Outros estúdios seguiram esse exemplo.

O que acontecerá com “Wonder Woman 1984” e “Soul” neste fim de semana pode dar aos dois estúdios uma melhor compreensão de como lançar outros grandes filmes daqui para frente.

Zak Shaikh, vice-presidente de programação e entretenimento da empresa de mídia baseada em pesquisa Magid, acredita que a mudança vai trazer novos assinantes, que são a força vital desses serviços, enquanto mantém os clientes atuais felizes o suficiente para não cancelarem.

“Esses são títulos enormes e parte de grandes marcas”, disse ele ao CNN Business. “Para a HBO Max, é uma forma eficaz de conseguir novos assinantes. Para a Disney +, que é mais estabelecida, é uma forma de manter os clientes existentes satisfeitos e de garantir que ‘Soul’ seja visto pelo maior público possível.”

O fim do ‘campeão de bilheteria’?

Muito do burburinho que pode impulsionar o sucesso de um filme geralmente vem do rótulo de “campeão de bilheteria” ou “número um no mundo” em anúncios de TV e mídias sociais. Vai ser muito mais difícil de fazer isso agora, que se trata de streaming, pois os serviços mantêm sigilo sobre os dados de visualização.

Mesmo quando as empresas divulgam os números, elas ainda não contam toda a história.
Robbins afirma que é difícil especular sobre o futuro do rastreamento dos dados de bilheterias, mas ele diz que não ficaria surpreso se as métricas evoluíssem junto com todas as outras mudanças que estão ocorrendo em Hollywood agora.

“Houve um tempo em que os recordes de bilheteria não eram manchete, como hoje, então é fácil ver alguma evolução em potencial se mais filmes optarem por uma estratégia de streaming no mundo pós-pandemia”, disse.

“Contar vendas de ingressos tem uma série de problemas, mas ainda é uma estratégia bem simplificada em comparação com dados e métricas do streaming”

Apesar de um número crescente de estúdios em Hollywood estar concentrado no streaming, as coisas podem “voltar ao normal” no próximo Natal, graças ao início da vacinação. Isso poderia trazer o público de volta aos cinemas – e com eles, a boa e velha guerra de bilheteria.

“Hollywood se adaptou efetivamente à pandemia e tem a sorte de ter os meios de distribuição para isso”, disse Shaikh. “Mas não acho que isso seja necessariamente um sinal do que está por vir. No ano que vem, você pode muito bem ver uma recuperação dos números de bilheteria, com o público desesperado para voltar a ter uma experiência real no cinema.”

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