Na contramão da crise, e-commerce ganha força no período da quarentena

Compras online aumentam e setor poderá ganhar ainda mais representatividade e relevância em 2020

Compra online: internet é saída para empreendedores continuarem vendendo e prestando serviços na quarentena
Compra online: internet é saída para empreendedores continuarem vendendo e prestando serviços na quarentena Foto: rupixen.com/Unsplash

Silene Dias,

da CNN, em São Paulo

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Com o surto da Covid-19 no mundo e resultado do incentivo ao isolamento social no país, por causa do fechamento temporário das lojas – parte de uma das medidas do Ministério da Saúde, que decretou situação de emergência como forma de controlar e reduzir a transmissão da doença – o consumidor passou a realizar compras pela internet e fez com que o mercado de compras online se movimentasse no período da pandemia. É o que diz um estudo exclusivo feito pela empresa de tecnologia em gestão de fretes, a Intelipost, que coletou dados que circularam na plataforma entre os dias 26 de fevereiro a 10 de maio deste ano.

Em comparação com o mesmo período de 2019, o consumo online na quarentena mudou para produtos mais baratos – com uma queda de 29% no valor médio gasto, reduzindo de R$ 507 para R$ 362 – e encomendas com o peso 16% mais leves. O levantamento mostrou que, além das pessoas passarem a comprar itens mais simples, que costumam adquirir no comércio físico, os setores que mais cresceram foram Casa e Decoração, com 250%; Construção e Ferramentas, com 143%; Artigos de Bebê, 126%; Eletrônicos, 113%; Materiais de Escritório, 107%; e Saúde e Beleza, com 102%. 

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São Paulo lidera a lista dos estados que cresceram em compras online, com 64%, seguido por Amapá, com 53%; Rio de Janeiro e Sergipe na mesma porcentagem, com 52% de consumo pela internet.

De acordo com o CEO da empresa de logística, Stefan Rehm, o e-commerce tem sido fundamental para manter a economia rodando. “Estamos vivendo uma transformação na forma como as pessoas vivem e se comportam. Podemos notar que alguns setores foram impulsionados pelo aumento do home-office, como eletrônicos e materiais de escritório”, sinalizou Stefan.

Os prazos de entrega ficaram mais curtos, em efeito da diminuição da circulação de veículos nas vias, com entrega em até 02 dias depois de o cliente ter realizado a compra, e o tipo de frete express ficou como a modalidade mais escolhida, com um aumento de 56%. Com o fechamento do comércio, o formato de retirada nas lojas foi reduzido, como já se esperava, em 38%.

A oferta do frete grátis aumentou 62%, entre fevereiro e maio, em comparação ao mesmo período do ano passado. Para esta modalidade, o prazo médio de entrega em São Paulo, por exemplo, fica em até três dias. Outras regiões, em até seis. Estão na lista do frete gratuito Casa e Decoração, Moda, Brinquedos e Games, e Saúde e Beleza. 

O CEO explicou que não há dados de que o comércio varejista que investiu em vendas online não tenha sido prejudicado. Mesmo assim afirmou que é impossível que os varejistas tenham conseguido recuperar com o e-commerce as vendas que foram perdidas com o fechamento obrigatório das lojas.

A empresa também comparou a intenção de compras online (quando o consumidor vai até a página de checkout e faz a cotação do frete) que teve aumento de 25% em comparação com os 45 dias anteriores, ainda no período pré-quarentena. 

Para Stefan, há três pontos de impactos: o aumento expressivo no volume de entregas; o do comportamento imprevisível do consumidor e o da intenção de compra. “Algumas estimativas de mercado indicam que a penetração do e-commerce é de 4% e pode chegar a 8% neste ano. Ainda é cedo para afirmar os resultados reais, mas já é possível notar uma mudança no comportamento do consumidor”, diz o executivo.

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