Na contramão da crise, indústria de pães, macarrão, bolos e biscoitos cresce 15%

Entre fevereiro e abril, setor avançou 15% e faturou R$ 1,3 bilhão a mais do que no mesmo período do ano passado

Pedro Duran, da CNN em São Paulo

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A pandemia do novo coronavírus tem provocado demissões, fechamento de empresas e vai derrubar o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil e de vários países. Mas um setor específico tem conseguido bons resultados, indo na contramão da crise: o de alimentos industrializados, como pães, macarrão, bolos prontos e biscoitos.

Um estudo feito pela Associação Brasileira de Pães, Massas, Bolos e Biscoitos (Abimapi) e obtido com exclusividade pela CNN mostra que o crescimento nos meses de fevereiro, março e abril está sendo de 15%. Na prática, isso significa R$ 1,3 bilhão a mais do que no mesmo período do ano passado.

A Puratos, que tem duas fábricas de itens para confeitaria, como chocolate, pães e bolos, na cidade de Guarulhos (SP), teve que mapear fornecedores brasileiros para substituir os itens importados que compunham as receitas fabricadas.

“A gente conseguiu antecipar inventários de insumos importados pra garantir pelo menos três meses de insumo no país. Nós também começamos a trabalhar na cadeia de distribuição para localmente encontrar fornecedores que pudessem substituir os produtos importados”, disse Simone Torres, diretora-geral da empresa no Brasil.

Contribuiu para o aquecimento do setor a praticidade do uso dos produtos, que são mais fáceis de cozinhar ou prontos para o consumo. A corrida para estocar alimentos também foi um fator decisivo para o aumento no faturamento.

Quando chega em casa, a cozinheira Márcia Cristina de Oliveira não faz pratos muito elaborados: casa de ferreiro, espeto de pau.

“As vezes não dá tempo também, né? Você faz pros outros e sempre vai ficando pra trás. Mesmo assim, às vezes, eu faço alguns pães em casa”, conta.

Também com pouco tempo pra cozinhar, o gerente operacional Israel Primo também opta por esses alimentos, que são mais rápidos de preparar. Até no supermercado ele tem pressa.

“Eu prefiro não ficar muito parado num setor. O que tiver mais prático ali, eu já pego e já levo”, conta.

Para alguns fornecedores de supermercados, a reposição de estoque teve que dobrar. As prateleiras chegaram a esvaziar em março, mas a Abimapi garante que isso não vai voltar a acontecer.

“As indústrias sempre tiveram uma ociosidade que agora não existe mais. Elas estão a pleno vapor, produzindo os produtos e nós não teremos em hipótese alguma desabastecimento”, afirmou o presidente da Abimapi, Claudio Zanão.

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