Não conseguiremos salvar todos os setores e empresas, diz Rial, do Santander

Em live, Sergio Rial diz que há setores que sofrerão mais do que outros e que nem todos que conseguirão ser auxiliados da maneira que gostariam

Sérgio Rial fala em live promovida pelo banco Santander (15.abr.2020)
Sérgio Rial fala em live promovida pelo banco Santander (15.abr.2020) Foto: Reprodução/Youtube

Do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Há setores que sofrerão mais do que os outros durante o avanço da pandemia de coronavírus e não serão todos que conseguirão ser auxiliados da maneira como gostariam. Essa, pelo menos, é a opinião de Sergio Rial, presidente do banco Santander Brasil. Para ele, no entanto, há uma busca de sintonia entre o poder público e o sistema financeiro para diminuir o impacto na crise.

“Nós, brasileiros, não temos condições de salvar todos os setores, há empresas que deixarão de existir. Apesar disso, há um diálogo produtivo entre sistema financeiro e governo para tentarmos procurar soluções para os setores”, afirma.

A afirmação de Rial foi realizada durante uma live no canal do banco no YouTube nesta quarta-feira (15). A entrevistadora foi Ana Paula Vescovi, diretora de macroeconomia do Santander Brasil e ex-secretária do Tesouro Nacional durante o governo do ex-presidente Michel Temer.

Apesar do cenário pessimista que vem se desenhando para os próximos meses, Rial acredita que o governo brasileiro tem agido corretamente. Segundo ele, o estado está privilegiando “uma camada desprovida da possibilidade de recuperação”, como autônomos não assalariados e famílias de baixa renda. E, posteriormente, pequenas e médias empresas.

Mas alguns setores estão sofrendo mais do que outros. Para isso, Rial sugeriu algumas soluções. Para os setores aéreo e varejista (não alimentício), por exemplo, citou a possibilidade das empresas listadas em bolsa emitirem títulos conversíveis em ações. “Você emite dívida com taxa de juros baixa e permite ao detentor converter a papel de ação e se beneficiar a recuperação dos valores no futuro”, diz.

Os impactos globais

O presidente do banco entende que não é possível desconectar os impactos econômicos no Brasil com o do resto do mundo. Ele, por exemplo, constatou que mesmo economias mais fortes, como as europeias e a norte-americana, estão sofrendo muito e terão dias difíceis pela frente. Citou o próprio exemplo da Espanha, país que sedia o banco e pode ter queda de 8% no seu PIB, além alcançar 20% da sua população ativa desempregada.

Por isso, defendeu que os responsáveis pela condução econômica de empresas e países sejam responsáveis com suas finanças, mesmo em um período tão conturbado. “Precisamos ter capacidade fiscal para responder a riscos imprevisíveis como esse. Poupar é importante, permite investimentos mais estruturados e colchão para enfrentar momentos como o de agora”, explica.

O conselho foi estendido para os clientes do sistema bancário nacional. Mas Rial também reiterou a necessidade de diálogo do sistema financeiro com a população. Por isso, afirmou que “para aquele que quer renegociar, ter prazo maior para pagar a sua dívida, irá encontrar resposta no sistema financeiro.”

O mundo após a pandemia

O presidente do Santander também comentou sobre o que espera das mudanças no mundo após o fim da pandemia, Indagado por Vescovi sobre o que este momento pode trazer de positivo, Rial diz esperar que a sociedade como um todo passe a ser menos tolerante com falta de higiene e que, localmente, o Brasil possa investir em saneamento para dar condições mínimas à população para se proteger de um próximo vírus.

Além disso, acredita que há diversas lições que o home office está deixando para empresas e colaboradores. Uma delas é a reflexão sobre a utilização inteligente dos espaços físicos disponíveis e a tecnologia. Para ele, cada vez mais, os dois ambientes se conectarão, funcionando como disseminação de conhecimento e comunicação nas áreas de saúde e educação.

Para quem quer aproveitar o momento para investir, Rial afirmou confiar na bolsa de valores como instrumento de valorização de patrimônio no longo prazo e deu dicas de setores que devem render bem. “Com a China voltando a produzir, empresas de proteína animal, agronegócio e de papel e celulose podem ir bem. O momento vai premiar empresas com boas gestões”, diz. 

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