Negócios circulares podem gerar R$ 700 bilhões à indústria da moda, diz estudo

Relatório da Fundação Ellen MacArthur aponta que modelo possui potencial de gerar receita maior nas empresas e reduzir o volume de novas roupas produzidas

Loja de roupas em shopping em São Paulo
Loja de roupas em shopping em São Paulo 11/06/2020 REUTERS/Amanda Perobelli

Fabrício Juliãodo CNN Brasil Business

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Os modelos de negócios circulares podem representar 23% do mercado de moda global até 2030, o que significa uma oportunidade de R$ 700 bilhões na indústria, segundo estudo da Fundação Ellen MacArthur.

O relatório “Modelos de Negócio Circulares: redefinindo o crescimento para criar uma indústria da moda mais próspera” aponta que o modelo tem potencial de gerar receita maior e reduzir o volume de novas roupas e acessórios produzidos.

Marilyn Martinez, gerente de projetos de iniciativas de moda na Fundação Ellen MacArthur, afirma que eles “não apenas têm enorme potencial para se tornarem uma tendência, mas também fornecem um crescimento ainda maior para a indústria da moda”.

Martinez diz que a produção de roupas dobrou entre 2000 e 2015, enquanto o tempo de usabilidade das roupas caiu em mais de um terço.

“Modelos de negócios circulares podem ajudar a reverter isso e criar uma indústria próspera que assuma a liderança no enfrentamento de desafios globais, como mudanças climáticas e perda de biodiversidade”, completou.

No entanto, a Fundação Ellen MacArthur alerta que, caso cuidados não sejam tomados, os negócios circulares (mudaria para esta vertente) podem não resultar em benefícios ambientais.

De acordo com a instituição, se as roupas não forem criadas para fazer parte do sistema em que estão, elas vão parar em aterros sanitários depois de poucos usos.

Categorias de negócios circulares

Na pesquisa da Fundação Ellen MacArthur, são citados quatro modelos de negócios que fazem circular produtos e materiais na economia. São eles: aluguel, revenda, reparar e refazer.

A primeira categoria, “aluguel”, inclui tanto a prestação do serviço ponto a ponto quanto por proprietários privados, bem como aluguel em larga escala e modelos de assinatura. Já a “revenda” inclui a venda de itens de segunda mão, mercados de terceiros e re-comércio e devolução de marca própria, todos com a opção online e offline.

A categoria “reparar” ocorre quando um produto ou componente com defeito ou quebrado retorna ao estado utilizável. Já a especificada como “refazer” é definida como uma operação pela qual um produto é criado a partir de produtos ou componentes existentes.

Segundo o estudo, modelos de negócios circulares oferecem benefícios tanto de receita quanto de custo. “Eles fornecem vários fluxos de receita, permitindo que as empresas ofereçam novos serviços, como restauração, customização e alfaiataria”.

Para desenvolver com sucesso as categorias de negócios circulares, a receita deve ser dissociada da produção e do uso de recursos. “Atualmente, embora tenham grande potencial, esses modelos de negócios nem sempre alcançam essa dissociação e os benefícios ambientais que dela advêm”, acrescentou.

A Fundação Ellen MacArthur orienta que as empresas devem repensar os indicadores de desempenho, incentivos e experiências do cliente, projetar os produtos para serem usados mais e por mais tempo e co-criar redes de abastecimento. Além disso, o estudo cita que dimensionar uma gama mais ampla de modelos de negócios circulares também é uma alternativa.

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