Nova versão de manifesto de entidades do mercado adota tom menos duro

Novo texto, que começou a circular nesta segunda-feira (30), traz um tom menos enfático; leia e compare as duas versões

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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Discutido desde o fim de semana retrasado, o manifesto de entidades empresariais e do mercado partiu de banqueiros e pessoas influentes do mercado financeiro teve mudanças de versões – a primeira versão tinha tom mais duro.

Na última versão do documento, as entidades suprimem o “cenário hostil” e focam na responsabilidade de cada um dos três Poderes, citando especificamente Legislativo, Executivo e Judiciário. O texto anterior citava também “risco à harmonia entre os Poderes” e a pacificação do país.

O novo texto, que começou a circular nesta segunda-feira (30) traz um tom menos enfático (leia a íntegra das duas versões abaixo).

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) foi uma das primeiras a abraçar a ideia que partiu de banqueiros influentes, e não a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Depois da adesão da Febraban, a Fiesp se juntou e deu mais visibilidade à iniciativa. Em seguida, vieram associações e empresários interessados em participar na “pessoa física”.

Dentro da Febraban, houve uma assembleia para votar o apoio ao manifesto e a aderência ao documento ganhou de lavada.

Então, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ameaçaram sair da federação de bancos caso ela fosse adiante com o manifesto. Como são bancos públicos, Caixa e BB não querem fazer parte de um manifesto que critica abertamente o governo.

Fontes do mercado financeiro dizem que na Anbima, entidade que representa corretoras, gestoras, distribuidoras de valores, também há divergências sobre o apoio ao manifesto.

Basicamente, a Febraban reúne os bancos estritamente, e a Anbima reúne a turma da Faria Lima e do Leblon, o mercado financeiro. Como a Anbima tem mais diversidade de atores, está mais difícil chegar a um consenso sobre o apoio ao texto..

A eventual saída da Caixa e do BB da Febraban não chega a ter impactos relevantes para os clientes de ambas as instituições. Mas, se de fato eles deixarem a entidade, isso pode elevar ainda mais o clima de tensão no mercado porque mostraria uma ruptura entre os bancos públicos, privados e a Febraban. Além disso, o movimento seria interpretado como um sinal de ingerência política sobre os bancos públicos, tudo que o mercado não gosta.

Leia a íntegra da versão anterior do texto:

Serenidade, Diálogo e Ações

As entidades signatárias deste documento veem com grande preocupação a escalada de tensões entre atores políticos, o que coloca em risco um dos pressupostos para a funcionalidade da democracia: a harmonia entre os poderes da República.

Esse cenário mais hostil tem potencial para gerar graves impactos na nossa economia. Por isso, a sociedade civil anseia e o momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o país supere, de forma duradoura, os desafios hoje postos à recuperação da economia e à superação das carências sociais que atingem amplos segmentos da população.

Para o fortalecimento da democracia, é imprescindível que cada ator político, que desempenha os papéis da mais alta relevância e responsabilidade sobre os destinos do país, aja com racionalidade para distensionar o ambiente político e dissipar incertezas quanto à nossa capacidade de, mesmo nas diferenças, conduzirmos adequadamente as questões do presente, resgatando expectativas quanto ao nosso futuro.

Leia a íntegra da nova versão:

A PRAÇA É DOS TRÊS PODERES

A praça dos três poderes encarna a representação arquitetônica da independência e harmonia entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, essência da República. Esse espaço foi construído formando um triângulo equilátero, cujos vértices são os edifícios-sede de cada um dos poderes.

Esta disposição deixa claro que nenhum dos prédios é superior em importância, nenhum invade o limite dos outros, um não pode prescindir dos demais. Em resumo, a harmonia tem de ser a regra entre eles. Este princípio está presente de forma clara na Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país. Diante disso, é primordial que todos os ocupantes de cargos relevantes da República sigam o que a Constituição nos impõe. As entidades da sociedade civil que assinam este manifesto veem com grande preocupação a escalada de tensões entre as autoridades públicas.

O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer, a gerar empregos e assim possa reduzir as carências sociais que atingem amplos segmentos da população. Mais do que nunca, o momento exige do Legislativo, do Executivo e do Judiciário aproximação e cooperação. Que cada um atue com responsabilidade nos limites de sua competência, obedecidos os preceitos estabelecidos em nossa Carta Magna. Este é o anseio da Nação brasileira.

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