Novo unicórnio brasileiro, unico foca em aquisições e expansão internacional

Empresa de identidade digital planeja ainda avançar nos setores de saúde e educação

Foto: Photo by Thomas Trutschel/Photothek via Getty Images

Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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O novo unicórnio brasileiro não quer que as pessoas andem com documento de identificação, chaves ou crachás. Esses itens permitem acessos que agora podem ser feitos via biometria, com reconhecimento facial ou impressão digital: os carros podem reconhecer seus donos, as catracas das empresas os seus funcionários e as casas os seus moradores. 

Esse tipo de tecnologia como rotina pode parecer algo distante hoje, mas a unico, empresa que anunciou nesta terça-feira (3) ter recebido um aporte R$ 625 milhões, já tem várias soluções de identificação digital e quer, inclusive, levá-las para fora do Brasil. 

A empresa criada em 2007 tanto tanto com os bancos, para identificar seus clientes nos aplicativos, como auxilia as empresas que fazem um processo de contratação 100% digital, quando o funcionário assina o contrato de trabalho e todos os formulários de admissão por via digital. Mas as aplicações não param por aí. Varejistas, companhias aéreas e plataformas de ingresso online, por exemplo, utilizam as soluções da startup. 

Foi assim que a unico chamou a atenção do Softbank e da General Atlantic, que investiram na empresa pela segunda vez em 10 meses. Na nova rodada liderada por esses fundos, a empresa de tecnologia se tornou um unicórnio, título dado a startups avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão. A unico entra para a lista que tem outras brasileiras como Nubank, Stone, iFood e Gympass. 

Diego Martins, presidente e fundador da unico, afirma que o aporte de R$ 580 milhões em outubro foi um marco na história da empresa e que a nova rodada é uma continuidade daquele investimento. “Foi um divisor de águas. Nosso time de engenharia e produtos cresceu cinco vezes e ainda temos 100 vagas abertas”, conta Martins, em entrevista ao CNN Brasil Business

Diego Martins, presidente da startup unico.
Foto: Divulgação/REUTERS.

Não à toa, a unico conseguiu um crescimento de 423% no volume de vendas no primeiro trimestre em relação ao mesmo período no ano passado, enquanto o início da pandemia acelerava a demanda por transformação digital.

A empresa afirma ter fechado um cliente por dia útil em 2021 entre as mil maiores companhias do Brasil. Na base da startup estão clientes como Magazine Luiza, Renner, Carrefour e Latam. 

O que fazer com R$ 625 milhões

Ainda mais endinheirada, a unico deve continuar comprando empresas e quer conquistar clientes fora do Brasil. 

No ano passado, comprou a startup gaúcha de análise de imagens Meerkat. Em 2021, adquiriu a Vianuvem e a CredDefense, especializadas em biometria para comércio de veículos. 

“Estamos sempre atentos na aquisição de empresas que possam ter criado algo relevante e que acelere nossa entrada em determinado setor”, afirma Martins. Agora, o unicórnio mira dois setores: saúde e educação. 

Na saúde, as oportunidades estão em prontuários eletrônicos e receitas online. A ideia da unico é dar mais segurança ao processo de acesso a exames e documentos dos pacientes. Com o avanço da telemedicina, a demanda por esse tipo de serviço deve crescer. 

Hoje, fora do setor de saúde, a unico afirma que protege uma pessoa a cada 12 segundos do uso indevido de sua identidade. Diego Martins afirma que a empresa já protegeu quase 2 milhões de brasileiros de fraudes em transações bancárias somente em 2021. A aposta é que a experiência antifraude da startup seja útil ao setor de saúde. 

Além da relação entre médicos e pacientes, a unico também quer entrar na relação entre instituições de ensino e estudantes. Se uma universidade ou escola quiser descobrir se o aluno está fazendo sua própria prova – e não um terceiro – poderá usar uma solução da empresa paulistana. A CredDefense já atua no segmento de educação, mas a unico ainda procura outras oportunidades no setor. 

Internacionalização 

O aporte milionário pode ser, ainda, o empurrão que a unico precisava para tirar seu passaporte. Um dos grandes objetivos é vender as soluções para empresas estrangeiras, mas o “como” e o “quando” ainda não estão muito claros. 

“Ainda em 2021 vamos mapear por qual país e qual produto devemos começar”, afirma Martins. 

Ou seja, o sonho ainda não está no papel, mas a empresa parece confiante na decisão. “Já existe a cultura de empresas assinarem documentos entre si, mas ainda há muito espaço na assinatura de documentos entre consumidores e empresas”.

Como exemplo do tamanho da oportunidade, o presidente da unico conta que visitou uma grande varejista mexicana que não oferecia aos clientes um processo 100% digital de aquisição de cartões de crédito. 

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