Novos leilões de infraestrutura vêm em boa hora, diz presidente da ABDIB

Venilton Tadini elogiou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, mas criticou o ajuste fiscal do governo

Texto por Gregory Prudenciano, produção por Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em São Paulo

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 O presidente-executivo da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Venilton Tadini, defendeu a iniciativa do governo federal de leiloar um pacote de infraestrutura, que inclui aeroportos, portos e uma ferrovia na semana que vem, entre os dias 7 e 9 de abril, com expectativa de atrair até R$ 10 bilhões em investimentos. 

Em entrevista à CNN, Tadini disse haver “excelentes perspectivas” para o leilão e argumentou que o momento é propício por conta da alta liquidez internacional, o que deve ajudar a atrair investidores estrangeiros para o leilão. 

“Temos aí um programa fantástico. Estamos bastante otimistas em relação a esse leilão, que vem numa boa hora para recuperar um pouco do ânimo perdido em função dos últimos 15 meses de pandemia”, afirmou. 

Para Tadini, a própria desvalorização cambial ocorrida no Brasil nos últimos meses pode se tornar um fator positivo para atrair investidores de fora do país. Além disso, ele pontuou que têm ocorrido avanços com o Programa de Parceria de Investimentos (PPI) desde o governo Michel Temer, política continuada pelo governo Jair Bolsonaro, do qual o ministro de Infraestrutura, Tarcísio Freitas, tornou-se “um ícone”. 

Crítica ao teto de gastos

O representante da ABDIB criticou o teto de gastos, que condiciona o orçamento a somente ser reajustado pela inflação, e afirmou que mesmo antes da pandemia de Covid-19 o Brasil já vinha fazendo um ajuste fiscal recessivo. Ele classificou o mecanismo fiscal como “uma camisa de força que está engessando a forma de políticas públicas para trabalhar em um momento de recessão como esse”. 

O especialista ressaltou que o Brasil precisa saber “calibrar a forma do ajuste fiscal” para que cortes orçamentários não sejam draconianos a ponto de represar investimentos necessários em infraestrutura, que segundo ele já estão aquém das necessidades do país. Tadini afirmou que o Brasil precisaria de cerca de R$ 300 bilhões em investimentos no setor todos os anos, e a cifra atualmente tem estado abaixo de R$ 150 bilhões. 

Jair Bolsonaro e autoridades caminham sobre a Ferrovia de Integração Oeste-Leste
Jair Bolsonaro e autoridades caminham sobre a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), na Bahia
Foto: Alan Santos/Presidência da República

“Precisamos desse esforço que tem sido feito através do ministro da infraestrutura e do PPI em relação à participação privada, um programa louvável, que vem efetivamente contribuindo para diminuir a nossa recessão. Agora, vemos, por outro lado, cortes substantivos no próprio orçamento da Infraestrutura, do ministério. Isso, para efeito da recuperação, é algo paradoxal. Na verdade, deveríamos juntar as duas forças nesse momento, mas sem dúvida nenhuma, com a perspectiva futura de aumentar mais ainda o investimento privado”, disse. 

Privatizações

Tadini também defendeu as propostas de privatização de empresas estaduais de infraestrutura, e citou o caso da Cedae, no Rio de Janeiro, como emblemático. Ele elogiou o novo marco regulatório do saneamento básico, que segundo ele “vem recebendo amplo apoio da iniciativa privada e dos grandes grupos que já estão” atuando no Brasil. 

“Os dois segmentos de infraestrutura em que o Brasil está mais atrasado são transporte e logística e saneamento. Não fazemos coleta e tratamento de esgoto nem de 50% da população”, destacou.

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