O Brasil está quebrado e precisa “aguentar” a China, diz Guedes

“A China é aquele cara que você sabe que você tem que aguentar", disse Guedes, que também afirmou que ele precisam do Brasil para "comer"

Ministro da Economia, Paulo Guedes, na reunião ministerial em 22 de abril, no Palácio do Planalto.
Ministro da Economia, Paulo Guedes, na reunião ministerial em 22 de abril, no Palácio do Planalto. Foto: Marcos Corrêa/PR

Do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Em vídeo da reunião ministerial divulgado nesta sexta-feira (22), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a China deveria financiar um Plano Marshall para o mundo a fim de compensar os impactos econômicos causados pelo coronavírus. Mesmo assim, segundo o ministro, o Brasil não deveria entrar em mais atritos com a China. 

“A China é aquele cara que você sabe que você tem que aguentar. Porque para vocês terem uma ideia, para cada um dólar que o Brasil exporta para os Estados Unidos, exportamos três para a China”, diz Guedes, que também defende uma maior responsabilização aos chineses. “A China (censurado) deveria financiar um Plano Marshall para ajudar todo mundo que foi atingido”, disse ele

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Guedes afirma que a relação com os chineses pode ser pragmática. E que a China precisa do Brasil porque “eles precisam comer”.

“Você sabe que geopoliticamente você está do lado de cá. (…) Não vamos vender para eles ponto críticos nosso, mas vamos vender a nossa soja para eles. Isso a gente pode vender à vontade. Eles precisam comer, eles precisam comer”, disse.

Críticas ao desenvolvimentismo

Segundo o ministro, o Pró-Brasil, vendido como uma espécie de plano para recuperar o país, essa ideia poderia ser um desastre. Segundo ele, a retomada do crescimento vem pelos investimentos privados, reformas e abertura da economia.

“Voltar uma agenda de trinta anos atrás, que é investimento público financiado pelo governo, foi o que a Dilma fez. Então, tá cheio de gente pensando nessa eleição agora, e botando coisa p… na cabeça de todo mundo aqui dentro. (…) O governo quebrou! Em todos os níveis (…)”

Segundo ele, a agenda de desalavancar bancos públicos e reduzir endividamento e queda de juros seria suficiente para o Brasil voltar a “voar”, mas aí veio o coronavírus. E a previsão de queda do PIB para 2020 é de 4,7%.

Guedes ainda afirmou que tem conversado com investidores e que querem um “bom ambiente de negócios no país”. Segundo o ministro, o mundo inteiro quer investir no Brasil e que estão dispostos a colocar “centena de bilhões de dólares” no país. 

“Simplificação de impostos e segurança jurídica, coisas desse tipo”, disse. De acordo com o ministro, o governo precisaria entrar na OCDE e aderir ao General Purchase Agreement (GPA) seria o suficiente para o Brasil entrar no alvo dos investidores novamente.

“Então, basta a gente fazer isso, quer dizer, vai fazer concorrência para concessão, privatização, então nós já estamos na pista certa, já estamos indo para a direção certa”, disse. 

Reconstrução com aprendizes militares

A reconstrução, segundo Guedes, pode passar pelo recrutamento de jovens aprendizes dos quartéis brasileiros. “Quantos jovens podemos absover?  Um milhão a duzentos reais, que é o bolsa família, trezentos reais, pro cara de manhã fazer calistenia. (…) De tarde, aprende a ser um cidadão, pô. (…) É… voluntário para fazer estrada, para fazer isso, fazer aquilo. Sabe quanto custa isso? É duzentos reais por mês.”

Segundo o ministro, com dez meses com um milhão de jovens, os custos para os cofres públicos seria de R$ 2 bilhões. “Então, nós vamos pegar na reconstrução, nós vamos pegar um bilhão, dois bilhões e contratar um milhão de jovens. A Alemanha fez isso na reconstrução (da Segunda Guerra Mundial)”, disse o ministro. 

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