“O que temos agora é um resultado extraordinário”, diz Guedes sobre contas do governo

Paulo Guedes, ministro da Economia, comentou o déficit de 0,4% do PIB registrado pelo governo federal em 2021, o menor desde agosto de 2014

Anna Russida CNNAna Carolina Nunesdo CNN Brasil Business

em Brasília e em São Paulo

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, fez uma transmissão ao vivo na tarde desta sexta-feira (28) para comentar o resultado das contas do governo federal divulgado nesta manhã pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Guedes afirmou que em 2021 houve muitas dúvidas, críticas, acusações de populismo fiscal, além de previsões muito equivocadas a respeito do desempenho de nossas contas, disse ele. “O que temos agora é um resultado extraordinário de um déficit primário de 0,4% do PIB, R$ 35 bilhões apenas.”

De acordo com o relatório, foi registrado déficit primário de R$ 35,073 bilhões em 2021. O valor é o menor desde agosto de 2014 e bem menor que o rombo de R$ 743 bilhões no ano anterior, consequência dos gastos emergenciais com a pandemia de Covid-19.

O resultado primário do governo inclui as contas do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência Social, excluídas as despesas com juros.

“Tivemos coragem de fazer em tempos de guerra o que não faríamos em tempos de paz, que foi o controle das contas. Uma base importante foi o controle da despesa total do governo central. O Brasil conseguiu um desempenho extraordinário como nós esperávamos. Esperávamos um bom resultado fiscal e lutamos muito por isso”, disse o ministro.

“O déficit de 2021 mostra uma extraordinária recuperação, caindo de 10% para menos de 0,5% do PIB. Isso não aconteceu antes e não acontecerá de novo na história, porque essa geração teve a coragem de fazer o sacrifício e travar as despesas para que não faltassem recursos e se comprometesse as futuras gerações”, reforçou.

O ministro avalia que o retorno ao trabalho após a vacinação impulsionou setores que estavam defasados, como serviços, restaurantes, bares, eventos.

Inflação

Ao comentar sobre a pressão inflacionária que o país vive hoje, Paulo Guedes diz que ser uma “falácia” que ela tenha sido responsável pelo aumento da arrecadação do governo.

“Muito se falou que foi a inflação [que melhorou o resultado das contas], mas se a inflação fosse solução porque aumenta a receita, porque quando fomos a 5.000% ou 2.000% de inflação, não tivemos aumento de arrecadação resolvendo o problema das finanças públicas? Obviamente, é uma falácia usada por economistas mal preparados dizendo que a inflação que resolveu. O que resolve é controle das despesas.”

Paulo Guedes, ministro da Economia / Reprodução/CNNBrasil/28.jan.2022

De acordo om o ministro, o aumento da arrecadação foi provocado pelo crescimento econômico mais forte, “como a recuperação em V da economia”.  “A inflação veio acima do esperado? Sim, veio. Mas não foi ela em si que corrigiu o problema e sim o descasamento do controle das despesas em termos nominais. A inflação ajuda quando há um descasamento de receitas e despesas.”

Para o ministro, a inflação “vai ser mais persistente e mais difícil de combater conforme mais existente seja a política monetária.”

Paulo Guedes também falou sobre as reformas e disse que o Congresso “tem sido parceiro”. “É um país que no meio da pandemia seguiu com reformas estruturantes e é isso que vai nos possibilitar transformar uma recuperação cíclica na retomada do crescimento sustentável. O fiscal está forte, o monetário está no lugar. Vocês estão vendo que o Brasil já está com os juros reais positivos enquanto BCs do mundo todo estão dormindo no volante com juros reais negativos.”

Segundo Guedes, o setor público consolidado vai ter, pela primeira vez em anos, um superávit. “O nosso modelo de crescimento é diferente do modelo antigo. Na reunião virtual de Davos eu disse que o Brasil é o único país que está de volta ao que estava quando a Covid chegou. Eu me referi à situação de política monetária e fiscal. Voltar em V, muita gente voltou, só que está todo mundo com juros negativo, eles vão crescer menos. Nós não, vamos fazer revisão para cima”, afirmou.

O ministro disse que o Brasil remove os estímulos fiscais e monetários durante a recuperação em V, “justamente para não deixar problemas para o futuro e permitir um pouso suave para a inflação este ano, cuja previsão é pouco acima de 5%.”

Ao encerrar, o ministro agradeceu ao Tesouro e afirmou que “vamos seguir firmes no fiscal” e que o país segue firme no monetário e com as reformas. “Vem Eletrobras, vem Correios, nas privatizações, vêm novos programas importantes que vamos fazer, como o crédito ao micro empresário individual, renovação do Pronampe e do FGI. Vamos renovar os fundos muito bem sucedidos. É a primeira vez que se tem uma recuperação econômica com crédito para pequenas empresas”.

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