ONS alerta que oito reservatórios podem chegar em novembro quase vazios

Órgão recomenda controle nas vazões para que baixos níveis não tragam risco de falhas no abastecimento de energia

Juliana Elias,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Ao menos oito reservatórios de algumas das principais hidrelétricas do país, na bacia do rio Paraná, devem chegar ao fim do período seco deste ano, no segundo semestre, com seus volumes de armazenamento no zero ou perto dele. As estimativas são do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pelo monitoramento e gerenciamento das usinas de geração de energia do país.

Isso, de acordo com o ONS, pode representar riscos de falhas no abastecimento de energia de várias regiões, caso o controle da vazão desses reservatórios não seja revisto. 

A projeção levou em consideração o comportamento dos reservatórios tendo em vista seus níveis atuais, já um dos mais baixos dos últimos anos, e como devem evoluir caso recebam o mesmo volume de chuvas de anos recentes para o período. O documento fez os prognósticos para as hidrelétricas para o período de junho e novembro deste ano, e foi apresentado ao fim de maio pelo ONS à Agência Nacional das Águas (ANA). 

“Considerando-se as previsões de afluência obtidas com a chuva de 2020, prevê-se a perda do controle hidráulico de reservatórios da bacia do rio Paraná no segundo semestre de 2021”, afirma o relatório. “A perda do controle hidráulico na bacia do Paraná implicaria em restrições no atendimento energético nos subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste.”

As usinas instaladas nesta região, que incluem Furnas e Três Irmãs, respondem por 53% de toda a capacidade de energia hídrica do Sistema Interligado Nacional (SIN), que abastece o país. “Em novembro há praticamente esgotamento de todos os recursos, sendo necessário o uso da reserva operativa a fim de evitar déficit de potência”, acrescenta o documento.

Pelos prospectos da ONS, Furnas e outras quatro usinas do sistemas – Nova Ponte, Emborcação, Itumbiara e São Simão – têm risco de, no pior cenário, chegar ao fim de novembro com seus reservatórios zerados. Outras três analisadas (Mascarenhas de Moraes, Água Vermelha e Marimbondo) podem chegar até lá com 2% ou menos de sua capacidade preenchida.

Entre as recomendações do ONS para contornar a situação está mudanças no controle da vazão desses reservatórios. “As medidas indicadas, que resultam na manutenção da governabilidade hidráulica da bacia do rio Paraná, permitem assegurar o atendimento eletroenergético do SIN em 2021.”

Crise hídrica

Os alertas vêm em um momento em que o governo e todos seus órgãos ligados à gestão hídrica e energética estão mobilizados em buscar soluções para uma das piores crises das últimas décadas.

Com chuvas nos menores níveis em 90 anos, os reservatórios de algumas das principais hidrelétricas estão entrando no outono e inverno, o período seco, nos menores níveis em duas décadas. 

Isso tem obrigado o governo a acionar todas as opções de energia reserva do sistema para reduzir os riscos de apagão ou racionamento. Fornecida por termelétrica ou importação de vizinhos como Argentina e Uruguai, essa energia de reserva custa mais caro e pressiona as tarifas tanto para os consumidores residenciais quanto para indústrias e estabelecimentos comerciais.

Usina hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra (MG)
Usina hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra (MG)
Foto: Paulo Whitaker/ Reuters

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