ONS estima que uso das térmicas contratadas até 2025 não vai onerar consumidor

Diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, afirma que diante dos bons níveis hídricos dos reservatórios e dos baixos volumes que serão acionados pelas térmicas, o ONS não espera cobranças extras

Estação de distribuição de energia
Estação de distribuição de energia 30/09/2009REUTERS/Amit Dave

Iuri Corsinida CNN

no Rio de Janeiro

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As perspectivas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) são positivas para o setor energético do país. Segundo o diretor-geral do operador, Luiz Carlos Ciocchi, o acionamento das térmicas já contratadas para entrarem em ação entre maio de 2022 e dezembro de 2025 não será suficiente para que haja novas cobranças extras e, assim, impactar no bolso do consumidor.

Apesar de afirmar que a tarifa final de repasse é de competência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Ciocchi citou os bons níveis hídricos nos reservatórios do país e o baixo acionamento das térmicas contratadas.

“A perspectiva é que as térmicas não vão afetar o bolso das pessoas, tendo em vista o baixo volume que serão acionadas. Como esse custo chegará e será administrado, é competência da Aneel, mas do nosso ponto de vista, da operação, esse custo será assimilado. Nossa expectativa é que não vai haver impacto negativo no bolso do consumidor”, explicou o diretor, destacando ainda as boas previsões em relação aos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Recorde em 10 anos

A poucos dias do início do chamado período seco, que começa a partir de abril, os reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) começarão a temporada com os melhores níveis hídricos dos últimos 10 anos. Atualmente, o nível médio dos reservatórios do SIN está em 71,7%. Em 2012 estava em 74,8%. Assim como a média de todos os reservatórios do país, os do subsistema Sudeste/Centro-Oeste também alcançaram os maiores níveis de armazenamento desde 2012, com os atuais 65% de capacidade.

Os números foram apresentados em coletiva realizada nesta segunda-feira (11) pelo ONS. Para Luiz Carlos Ciocchi, os números representam uma garantia de segurança energética para os próximos meses. Segundo ele, o cenário para o próximo ano deverá ser ainda melhor.

“Do ponto de vista de infra estaremos melhor em 2023 do que neste ano. Se mantida a perspectiva de bons níveis nos reservatórios, que é o atual cenário, tudo leva a crer que teremos um ano de 2023 ainda melhor na questão do armazenamento. Mas é importante salientar que tudo isso está sujeito a mudanças meteorológicas e não podemos descartar os efeitos das mudanças climáticas”, apontou Ciocchi.

O diretor destacou que além dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Nordeste, que já estavam desde o mês passado em níveis bastante positivos, os reservatórios do Sul tiveram boa recuperação na última semana e não causam mais preocupação. Atualmente estão com 51,68%, frente aos 42,50% do início do mês de abril.

Especialistas divergem

Especialistas ouvidos pela CNN na semana passada afirmaram que, mesmo com o fim da bandeira de escassez hídrica —a mais alta de todas, com custo de R$ 14,20 a cada 100 KWh consumidos—, o desconto na conta de luz não será significativo e o consumidor continuará pagando caro pela luz.

Eles dizem que as térmicas contratadas até 2025 são mais caras e essa conta, invariavelmente, será repassada para a população. As contratações emergenciais já somam cerca de R$ 11,7 bilhões, segundo Diogo Malagueta, professor de planejamento energético da UFRJ.

“Apesar de níveis melhores e com as térmicas sendo menos acionadas neste momento, no auge da crise o governo determinou a compra de termelétricas de emergência para a geração de uma grande quantidade de energia, por efeito de lei. Sendo assim, mesmo tendo chovido muito, essa geração mais cara (de térmicas) vai entrar. Ou seja, a tarifa vai continuar mais alta do que indicam os reservatórios”, disse ele.

Outros especialistas ouvidos ainda apontaram o aumento do custo do preço dos combustíveis como um dos fatores que vão contribuir para a manutenção dos altos custos de geração de energia no país.

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