ONU enfrenta déficit de financiamento de US$ 100 trilhões, aponta relatório

Mudanças climáticas representam 20% da lacuna de financiamento; o tema, no entanto, atrai 44% do capital

Organização das Nações Unidas (ONU)
Organização das Nações Unidas (ONU) Reprodução/ONU

Simon Jessopda Reuters

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As metas globais de combate à pobreza, desigualdade, injustiça e mudanças climáticas enfrentam um déficit de financiamento de US$ 100 trilhões, apontou um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira (17).

A atual situação pode ser revertida se 10% da produção econômica global for direcionada para as metas das ONU todos os anos até 2030.

Os “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU” definem metas para diversas áreas – desde o meio ambiente até saúde e igualdade – e têm o apoio de todos os estados-membros, mas o fornecimento de financiamento de governos, investidores, bancos e empresas para ajudar a alcançá-los tem sido insuficiente.

Com o impacto da pandemia de coronavírus, o déficit anual agora é de US$ 10 trilhões por ano, de acordo com um relatório da Force for Good Initiative, em colaboração com as Nações Unidas e o setor financeiro.

“A humanidade está em uma encruzilhada. Mais do que nunca, todas as partes interessadas devem fazer parcerias para garantir que esta crise seja o início de uma nova economia para o desenvolvimento sustentável com prosperidade para todos”, disse Chantal Line Carpentier, chefe da conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento no escritório do Secretário-Geral de Nova York.

Somando os custos de financiamento da transição global para uma economia de baixo carbono para limitar o aquecimento global, e o financiamento total até 2050 chega a US $ 200 – $ 220 trilhões, acrescenta o relatório.

Os objetivos

Os “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU” são a lista global de tarefas que tratam de questões como guerra, fome, degradação da terra, igualdade de gênero e clima.

Embora mais de 1,1 bilhão de pessoas tenham saído da pobreza extrema desde 1990, o fracasso em acelerar os esforços para estes objetivos pode gerar conflitos e crises, diz o relatório.

Após um início lento, o setor financeiro mundial começou a fazer mais, com US$ 9,5 trilhões comprometidos até 2030 e um recorde de US$ 2,1 trilhões implantados em 2020.

No entanto, o relatório aponta que há desequilíbrios na forma como o dinheiro está sendo investido.

Embora as metas relacionadas às mudanças climáticas representem 20% da lacuna de financiamento, o tema atualmente atrai 44% do capital comprometido, revela o relatório.

Em contraste, as metas humanas, econômicas e sociais representaram mais da metade da lacuna de financiamento, mas absorvem apenas 32% do financiamento atual.

“O setor financeiro está desempenhando um papel de rápida expansão no financiamento dos ODS [objetivos] e na transição para um futuro digital sustentável”, disse Ketan Patel, presidente da Force for Good e CEO e cofundador da Greater Pacific Capital.

“No entanto, com menos de dez anos pela frente, há uma necessidade urgente de explorar soluções ainda maiores e mais radicais do que as que estão sendo implantadas hoje.”

Entre outras empresas financeiras envolvidas na iniciativa estão BlackRock, JPMorgan, Bridgewater Associates e Schroders, diz o relatório.

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