Corte no Orçamento não é suficiente, será preciso cortar mais, diz economista

Manobra para aprova-lo já foi utilizada em governos passados e deu muita dor de cabeça, afirma Felipe Salto

Da CNN, em São Paulo

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A aprovação do Orçamento da maneira que está não resolve os problemas de gastos do governo e será preciso fazer novos cortes, afirma o economista e diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Felipe Salto, em entrevista à CNN.

O Projeto de Lei do Congresso Nacional nº 2 de 2021, que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021 foi aprovado e permite a abertura de crédito para programas de combate à pandemia de Covid-19. O texto seguirá para sanção ou veto presidencial.

“O que foi feito hoje, na verdade, é gastar e dizer que não gastou, uma velha estratégia já utilizada em governos passados para descontar despesas sem entrar no mérito de que são ou não necessárias. O mais transparente seria mostrar no Orçamento para a sociedade que essas despesas aumentaram”, afirma.

O economista e diretor executivo da Instituição Fiscal Independente Felipe Salto
O economista e diretor executivo da Instituição Fiscal Independente Felipe Salto (19.abr.2021)
Foto: Reprodução/CNN

“É uma manobra contábil. Abre espaço orçamentário para o governo, não resolve o problema do teto de gastos, mas azeita para que se possam realizar essas despesas sem precisar alterar a meta do resultado primário. Isso já deu muita dor de cabeça em momentos passados”, recorda.

Salto explica que a conta não fecha. “O acordo feito não vai ser suficiente. Com os cortes do executivo, vão reduzir níveis de despesas do custeio da máquina, de alguns programas essenciais que estão nesse grupo. Corre-se o risco de paralisação da máquina pública. E pior, o total de cortes não será suficiente para evitar o rompimento do teto de gastos, será preciso cortar mais”.

O assunto deveria ser tratado com mais cuidado, avalia. “Estamos conduzindo o processo orçamentário e, não é de hoje, de uma forma muito atabalhoada. Temos um quinquilhão de regras fiscais, somos pródigos em produzir regras, legislações e não cumprir. Em meio à crise da Covid-19, isso ficou mais exacerbado. Agora todo mundo correndo atrás de resolver o problema, evitar eventuais crimes de responsabilidade fiscal e contabilidade criativa, mas a chance de dar um resultado ruim é muito alta”.

 

(Publicado por Sinara Peixoto)

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