Pandemia da COVID-19 prejudica vendas da Páscoa; associação prevê queda de 8,5%

Dono da rede Chocolândia estima prejuízo e teve de dispensar funcionários temporários que trabalhariam na época

Da CNN*, em São Paulo

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Presidente da rede Chocolândia, Osvaldo Nunes afirmou à CNN, neste sábado (4), que nunca viu um movimento tão fraco em época de Páscoa. Por causa dos impactos causados pelo novo coronavírus, ele disse que precisou dispensar funcionários temporários.

Antes da pandemia, números da Associação Paulista de Supermercados (Apas) estimavam uma alta de de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Com a chegada da doença, o dado foi revisado para uma baixa de 8,5%.

Para a Grande São Paulo, a expectativa é ainda pior, de queda de 10,5% nas vendas ante 2019.

“A Páscoa é o nosso Natal, e o movimento é muito grande. A gente nunca viu esse movimento tão fraco”, diz o empresário. “Todos os anos a gente abre 24h, então a gente contrata cerca de 100 mil ou 110 mil pessoas nesse período, e elas ficam de stand by, e vamos utilizando conforme o movimento vai aumentando. Neste ano, infelizmente, a gente acabou dispensando essas pessoas”, disse.

No ano passado, 85% do estoque havia sido vendido a essa altura. Neste ano, apenas 35% foi comercializado. Para este ano, a rede de lojas comprou 3 mil toneladas de chocolate para a Páscoa e já planeja negociar o excedente com as empresas.”Estimamos um prejuízo muio grande”, disse Nunes.

Apesar da situação, o comerciante demonstra otimismo com uma recuperação. “Sair de tudo isso será muito difícil, porque já somos uma economia muito frágil, mas agora é hora de todos nos unirmos em um acordo para todos –ou a grande maioria– sobreviverem a essa economia terrível que assolou todo o mundo.”

Em casa

Entre os supermercadistas, a expectativa é que as vendas melhorem na próxima semana. Na rede de supermercados Hirota, já há promoções, na linha “leve quatro e pague três”, e descontos de até 50% na compra do segundo ovo. A empresa deve oferecer mais descontos nos dias que antecedem o feriado, no próximo dia 12.

Já as fabricantes de chocolate reconhecem que o momento é de orçamento doméstico apertado, mas avaliam que tomaram medidas suficientes para evitar perdas de produtos. Segundo a Lacta, foram reforçados os investimentos nos canais tradicionais de compra e no e-commerce. Com a epidemia, a empresa também relançou uma loja virtual própria. “Investimos também nos aplicativos de venda delivery.”

A gaúcha Neugebauer lembra que os contratos para a Páscoa foram fechados antes das medidas de isolamento social e que a preocupação maior agora é que a reposição dos produtos no supermercado demore mais que o normal. “Até agora, porém, não houve impacto no consumo”, diz o diretor, Sérgio Copetti.

* Com informações do Estadão Conteúdo

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