Para IBGE, inflação ainda prejudica desempenho do comércio varejista

Por outro lado, o aumento nas concessões de crédito e o avanço no número de pessoas trabalhando melhora a renda das famílias e ajuda a sustentar as vendas

Consumidores caminham por rua comercial do Rio de Janeiro
Consumidores caminham por rua comercial do Rio de Janeiro 16/09/2020REUTERS/Ricardo Moraes

Daniela Amorim, do Estadão Conteúdo

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A inflação ainda elevada no país impediu um resultado mais favorável nas vendas no comércio varejista em janeiro, afirmou Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Por outro lado, o aumento nas concessões de crédito e o avanço no número de pessoas trabalhando, o que melhora a renda das famílias, ajudam a sustentar as vendas, opinou o pesquisador.

O volume vendido subiu 0,8% em janeiro ante dezembro, mas apenas três das oito atividades pesquisadas registraram avanços. Após uma revisão nos dados divulgados, o IBGE divulgou que o varejo vinha de uma queda de 1,9% em dezembro ante novembro.

Ou seja, o desempenho positivo de janeiro não recupera nem a metade da perda de dezembro, além de ter ficado concentrado em poucas atividades.

“A trajetória dos últimos meses continua bastante claudicante”, definiu Cristiano Santos. “A leitura (de janeiro) é positiva, mas ela não é distribuída entre as atividades, está concentrada”, reconheceu.

As cinco atividades varejistas com retração nas vendas em janeiro ante dezembro foram Tecidos, vestuário e calçados (-3,9%); Livros, jornais, revistas e papelaria (-2,0%); Móveis e eletrodomésticos (-0,6%); Combustíveis e lubrificantes (-0,4%); e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,1%).

Houve avanços apenas nos setores de Equipamentos e material para escritório informática e comunicação (0,3%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (3,8%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (9,4%).

Segundo Cristiano Santos, as vendas de outros artigos de uso pessoal e de artigos de perfumaria no segmento de farmacêuticos foram impulsionadas em janeiro por uma estratégia de promoções nessas duas atividades. “As promoções ocorreram em momento diferente, não foi em dezembro”, observou.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, houve redução de 0,3% em janeiro ante dezembro. O segmento de Veículos, motos, partes e peças registrou queda de 1,9%, enquanto Material de construção caiu 0,3%.

Questionado sobre eventuais impactos da invasão da Ucrânia pela Rússia sobre o desempenho do varejo brasileiro, Santos disse que não poderia prever, mas reconheceu que pressões inflacionárias costumam ter como reflexo a redução do volume vendido pelo comércio no mercado doméstico.

“Qualquer aumento de inflação tende a influenciar o crescimento em volume do comércio”, disse Santos.

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