Paulo Guedes: acredito que a queda do PIB em 2020 será ainda menor que 4%

"Eu esperava uma recuperação como se fosse um V partido, mas está vindo mais esperado até do que eu antecipava", disse o ministro em evento da Credit Suisse

O ministro da Economia, Paulo Guedes
O ministro da Economia, Paulo Guedes Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil (18.dez.2019)

Anna Russi,

do CNN Brasil Business, em Brasília

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que, com a eficácia das medidas emergenciais do governo, o Brasil está rebatendo “muito rápido” os impactos da pandemia de Covid-19. Ele participou de videoconferência com investidores do Credit Suisse e o ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, nesta quarta-feira (9). 

“Eu esperava uma recuperação como se fosse um V partido, mas está vindo mais esperado até do que eu antecipava”, disse. “As primeiras estimativas foram de que o Brasil cairia 10%, agora está todo mundo revendo a previsão para 4% ou 5%, metade do que era. Acho que vamos surpreender mais ainda: vai ser menos do que isso, porque estamos dando a volta por cima de maneira muito forte.”

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Guedes destacou também que o Brasil é o segundo país com a recuperação mais rápida no momento, depois da china. “A OCDE liberou dados ontem dizendo que o Brasil é o número 2 em velocidade de recuperação. Então, eu já esperava meio que isso porque o Brasil estava decolando quando a doença chegou”, lembrou. 

País de primeiro mundo 

O ministro destacou a eficiência do programa de acordo entre empregados e trabalhadores para redução de jornada e salário ou suspensão de contratos, com complemento de renda pelo Benefício emergencial. Segundo ele, o programa permitiu que o Brasil preservasse 11 milhões de empregos enquanto os Estados Unidos fechou 31 milhões de vagas.

“As nossas demissões foram de 1,2 milhão. O Brasil já está criando novos postos de trabalho e uma economia que está criando 1,1 milhão (saldo líquido foi de 100 mil), é uma economia que já está recuperando”, observou. 

Ele ressaltou também o programa do auxílio emergencial, recebido por 64 milhões brasileiros da economia informal e em situação vulnerável. “Foi um programa muito bem recebido pela população. (Durante a pandemia) Não teve um evento de violência no Brasil, mas vemos violência nos Estados Unidos, vemos questões raciais. O Brasil está parecendo um país de primeiro mundo: o distanciamento social foi mantido, 75% da economia foi preservada e estamos retomando, estamos voltando”, completou. 

De acordo com ele, a estratégia é retomar os negócios, trabalhando para o envio e aprovação das reformas estruturais. “Vamos dormir no Brasil e acordar nos EUA, na Alemanha”

Guedes adiantou também que a equipe econômica trabalha em uma reformulação da proposta de Pacto Federativo, enviada ao Congresso antes da pandemia. “A pedido do Senado, fatiamos o pacto em três partes no início. Agora conversando com eles, estamos fundindo duas versões e a outra vai ser aprovada daqui uma ou duas semanas”, afirmou. 

Na avaliação do ministro, o impacto do Pacto Federativo será “muito grande” para a gestão financeira. “Vamos dormir no Brasil e acordar nos Estados Unidos, na Alemanha, onde os políticos controlam o orçamento. No Brasil, eles não controlam: 96% do orçamento está travado, eles não tem poder sobre as decisões políticas”, criticou. 

De acordo com ele, como a proposta já está no Legislativo, agora o governo “só tem que ajudar a reformatar”. “Isso deve progredir. Vai ser uma mudança significativa no regime fiscal do Brasil. Acredito firmemente que nenhuma crise fiscal vai durar mais do que 2 anos”, destacou. 

Guedes ainda reforçou que a relação com o Congresso está “muito boa”. “Ao contrário do que os fofoqueiros estão dizendo de que todo mundo está brigando com todo mundo. A verdade é que as coisas estão rodando, tudo está sendo aprovado”, comentou em referência à notícias sobre conflitos e tensões entre ele e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. 

Próximos passos

O ministro voltou a dizer que o governo vai anunciar três ou quatro “grandes privatizações” nos próximos dias. “Ano passado vendemos US$ 30 bi de desinvestimentos e isso foi um dos fatores chaves para desalavancar bancos públicos e reduzir a relação Dívida/PIB”, comentou. 

O mais importante é que agora estamos liberando o horizonte para investimentos privados. “Acreditamos em um boom de investimentos privados nos próximos 10 anos, no mínimo. Estamos acelerando as reformas na agenda regulatória. Então, nos próximos 30 a 60 dias vamos aprovar e avançar com muitas dessas questões regulatórias”, acrescentou.

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