Petrobras é destaque nos balanços do 1º trimestre; varejo e incorporadoras caem

De modo geral, os resultados foram em linha com o esperado pelo mercado

Expectativa dos especialistas é que o cenário continue similar ao primeiro trimestre
Expectativa dos especialistas é que o cenário continue similar ao primeiro trimestre Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Artur Nicocelido CNN Brasil Business*

em São Paulo

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A temporada de balanços financeiros do primeiro trimestre chega ao fim nesta semana, e especialistas afirmaram que a Petrobras apresentou os melhores números entre janeiro e março de 2022, tanto que a companhia deverá aumentar o pagamento de dividendos. Por outro lado, os setores de varejo e incorporadoras imobiliárias terminaram em queda no período.

De modo geral, os resultados foram em linha com o esperado pelo mercado, “o que é uma boa notícia”, diz Pedro Serra, chefe de pesquisas da Ativa Investimentos, apesar da inflação crescente no Brasil e a perda do poder do real, que poderiam puxar o caixa das companhias para baixo.

Um levantamento realizado pelo Economatica, a pedido do CNN Brasil Business, apontou que dentre os balanços financeiros divulgados até terça-feira (17), houve uma queda média de 0,07% no lucro líquido das empresas, se comparado com os mesmos valores de janeiro a março de 2021.

A Petrobras, segundo Phil Soares, analista da Órama, apresentou resultados robustos por conta do aumento expressivo na extração de petróleo e da alta no preço do Brent devido à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. O barril chegou aos US$ 140, em meados de março.

A companhia registrou um lucro líquido de R$ 44,5 bilhões nos primeiros três meses de 2022. O resultado representa um salto de rentabilidade superior a 3.700% em comparação com o mesmo trimestre de 2021, quando a estatal teve um ganho de R$ 1,3 bilhão.

Na divulgação do balanço, o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, afirmou que os números devem-se ao fato da companhia ser saneada, “o que reduziu os encargos com pagamento de dívida, possibilitou o investimento com responsabilidade e a operação com eficiência”.

O chefe de pesquisas da Ativa Investimentos também ressaltou o setor de varejo, mas apenas o de alta renda, como Arezzo e  Vivara. As companhias tiveram resultados positivos porque os clientes são de classes A e B, os menos impactados pela alta inflacionária se comparado com as classes C, D e E.

A Arezzo teve um lucro líquido ajustado de R$ 57,54 milhões no primeiro trimestre de 2022, alta de 94,4% ante o mesmo período do ano passado. Já a Vivara teve lucro bruto no período de R$ 228,2 milhões, crescimento de 59,9% se comparado com 2021.

Em março, no fim do primeiro trimestre, as vendas no comércio varejista brasileiro cresceram 1% em março ante fevereiro, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Piores desempenhos

No lado negativo, Gustavo Pazos, Analista do time de Research da Warren, afirmou que o varejo discricionário, que vendem itens que não são essenciais à população, tiveram resultados negativos por conta da alta taxa de desemprego.

“Apesar do número ter arrefecido para níveis pré-pandêmicos, é possível enxergar que o longo período de alta [no desemprego] ainda tem reflexo no bolso dos brasileiros”. O número de desalentados no 1° trimestre de 2022 foi de 4,6 milhões de pessoas, apontou o IBGE.

Dessa forma, o grupo Via, por exemplo, teve um lucro líquido operacional no período de R$ 86 milhões, queda de 52% contra o mesmo período do ano anterior. Enquanto a Magazine Luiza registrou prejuízo líquido de R$ 161,3 milhões no 1º trimestre.

Já Eduardo Cavalheiro, gestor da Rio Verde Investimentos, ressalta que as incorporadoras imobiliárias também ficaram na ponta perdedora porque dependem dos juros baixos para o crescimento do caixa.

A Cyrela teve lucro líquido de R$ 161,7 milhões no primeiro trimestre, queda de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto a JHSF reportou lucro líquido de R$ 166,5 milhões, um recuo de 13% em relação a 2021.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou, em 4 de maio, uma alta de 1 ponto percentual na taxa básica de juros. Dessa forma, a Selic passa de 11,75% ao ano (a.a.) para 12,75% a.a..

Especialistas acreditam que a taxa básica de juros seguirá em alta. A projeção da Inifinity é que o BC suba os juros em 0,5 ponto, estacionando a taxa nos 13,25% até o final do ano.

Próximo tri

De acordo com dados da B3, a temporada de balanços financeiros do segundo trimestre começará em 28 de julho, com os números da Eletro Aço. E terminará em 15 de agosto, com informações de 15 companhias.

A expectativa dos especialistas é que o cenário continue similar ao primeiro trimestre. Dessa forma, as companhias relacionadas as commodities podem apresentar uma alta nos números, enquanto os setores que dependem do consumo e são impactados pela inflação deverão ter resultados negativos.

A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2022 avançou de 7,65% para 7,89%. Essa é a 16ª alta semanal consecutiva na mediana das previsões para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), apontou o Boletim Focus, divulgado em 2 de maio.

O que ficará no radar das companhias nos próximos meses, explica o gestor da Rio Verde Investimentos, são os possíveis apertos monetários nos Estados Unidos, que podem impactar os próximos balanços, e “assim, é preciso saber até que ponto os juros farão a economia mundial esfriar”.

*Com colaboração de Pedro Zanatta, do CNN Brasil Business

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