Covid-19 adia planos, mas Petz ainda trabalha com cenário de IPO para 2020

CEO da maior rede de pet shops do Brasil diz que abertura de capital ‘não passa do início do ano que vem’ e mantém previsão de abrir entre 28 e 32 novas lojas

Luís Lima,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Sergio Zimerman, CEO e fundador da Petz, visitava potenciais investidores em cidades como Londres, Nova York, Rio de Janeiro e São Paulo, semanas antes do agravamento da pandemia do novo coronavírus no Brasil. O executivo mapeava interessados na abertura de capital da maior rede de pet shop do país, que estava programada para o primeiro semestre deste ano e tem como expectativa levantar a ambiciosa quantia de R$ 2 bilhões em duas etapas de captação de recursos, sendo R$ 300 milhões de aporte primário, e o restante, no secundário.

O avanço do contágio e do número de mortos pela doença, que já ultrapassou 20 mil, porém, obrigou o adiamento do tão esperado IPO – que agora deve acontecer entre o segundo semestre deste ano até, no máximo, começo do ano que vem. A informação foi confirmada por Zimerman, em entrevista exclusiva ao CNN Brasil Business. “Do início do ano que vem não passa”, afirmou.

Com a mudança de planos de abertura de capital, a Petz se junta a outras empresas, como Caixa Seguridade e Banco Votorantim, que também optaram por prorrogar a abertura de capital, em meio à crise. O ponto fora da curva foi a Estapar, protagonista do primeiro IPO virtual da B3 no último dia 16 de maio.

No caso da Petz, o pedido foi suspenso junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) até o fim dezembro deste ano — mas nada impede uma revisão desta avaliação, se a empresa assim desejar.

Com o projeto adiado, a empresa levantou R$ 210 milhões em abril, com uma emissão de debêntures (títulos de dívida), que, segundo Zimerman foram utilizados para proteger a saúde, os empregos e garantir a abertura de novas lojas. A meta da Petz continua sendo a de inaugurar entre 28 e 32 novas unidades até o começo do ano que vem, expandindo sua presença para até seis novos estados.

“Não divulgamos exatamente os (novos) estados. Mas temos contratados seis novos. Estamos em 13, temos contratos para mais seis, e faltarão só sete para que estejamos no Brasil inteiro”, calcula Zimerman.

As estimativas da Petz têm suporte no robusto mercado brasileiro de animais de estimação, considerado o terceiro maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e China, e empatado com a Inglaterra. Estima-se que há no país 54 milhões de cachorros e 24 milhões de gatos nas casas dos brasileiros, em um setor que movimenta 0,36% do PIB brasileiro, diz a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

Mais digital 

Dona de um faturamento de R$ 1,16 bilhão em 2019, a Petz viu a parcela de sua receita originada nas vendas online acelerar significativamente na pandemia. Com os donos de pets em casa, a participação das vendas digitais sobre a receita passou de um índice de 7,7% em 2019 para 27% em abril. A meta da empresa era atingir o nível de 20% em cinco anos, mas a Covid-19 reduziu esse prazo para dois meses.

“Felizmente, atingimos isso com bastante qualidade. O número do NPS, medida de satisfação do consumidor, no digital passou de 77% para 78%. E 94% das entregas aconteceu dentro do prazo prometido”, defende o executivo.

Sergio Zimerman, CEO da Petz
Sergio Zimerman, CEO da Petz, maior rede de pet shops do Brasil
Foto: Divulgação

Segundo Zimerman, a Petz estava pronta para absorver esse aumento de demanda, já que as 108 lojas espalhadas pelo país já ofereciam a possibilidade de comprar pelo site ou aplicativo, e a retirada no ponto de venda mais próximo.

Como um serviço considerado essencial, 105 lojas mantiveram abertas — três de shoppings foram fechadas. Outras unidades dentro desses empreendimentos que mantiveram abertas tiveram uma baixa de até 50% no faturamento.

Nas lojas de rua, houve queda de 30% no fluxo de clientes. Para compensar esssa baixa, a Petz redobrou a aposta no serviço drive thru e na logística organizada a partir de “mini-hubs”, que orienta a entrega dos produtos sempre de acordo com a loja mais próxima do cliente.

Entre os clientes que continuaram frequentando as lojas, Zimerman observa que eles passaram a comprar em um tempo menor e volume maior. Entre as mudanças nos hábitos, destaca um maior volume de compras de produtos de higienização e limpeza.

“Há uma preocupação maior com a desinfecção dos ambientes. Muita gente comprando shampoo para dar banho em casa”, exemplifica. Já os produtos de comidas e medicamentos mantiveram estabilidade, tanto em volume, como em marcas.

Resultados 

Com as saídas adotadas para driblar a crise, a Petz teve aumento de 25% o faturamento em abril, comparado ao mesmo mês de 2019, e de 7% do tíquete médio. Para reforçar a área de tecnologia, contratou cerca de cem profissionais para a área digital e para o centro de distribuição, que se somam aos 3,9 mil funcionários da rede.

Segundo a Abinpet, o segmento se manterá estável em 2020, oscilando pouco em relação ao faturamento do ano passado, que foi de R$ 36 bilhões. Apesar do prognóstico positivo, Zimerman é cauteloso ao afirmar que o setor “surfa” uma onda positiva na crise.

“Ninguém sai imune de uma crise dessa proporção. O segmento pet tem uma característica de resiliência — significa sofrer menos que os outros, e não deixar de sofrer”, pondera o fundador da Petz. “À medida em que as pessoas perdem emprego, renda e fecham negócios, toda a população, que é nossa cliente, tem um impacto. Não há empresa que seja uma ilha nesse sistema”, acrescenta. 

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