P&G estende licença-paternidade para 2 meses; entenda porque isso é importante

Iniciativa passa a valer já neste mês e se estende a pais biológicos e adotivos, heterossexuais ou homoafetivos

Fachada de um dos escritórios da P&G no estado de São Paulo
Fachada de um dos escritórios da P&G no estado de São Paulo Foto: Divulgação

Manuela Tecchio, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Uma das líderes do setor de higiene e beleza, a P&G anunciou nesta quinta-feira (8) que vai conceder uma licença-paternidade estendida de oito semanas, ou cerca de dois meses, para seus colaboradores. A nova política entra em vigor já neste mês e vale para pais biológicos ou adotivos, heterossexuais ou homoafetivos.

O objetivo é oferecer aos pais a oportunidade de se relacionar melhor com os filhos, conforme diz o documento divulgado pela marca. Ainda no comunicado, a empresa diz que busca “desenvolver famílias mais felizes e uma sociedade mais igualitária”.

“Nos propusemos a ser uma voz que fala e age para eliminar preconceitos e trabalhar pela igualdade de oportunidades e representação. Ao reforçar nossa política de licença parental remunerada, buscamos promover a equidade no trabalho e em casa”, diz Raíssa Fonseca, gerente sênior de
RH da P&G.

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Outras empresas também têm adotado iniciativas como essa para equilibrar os papéis de gênero. Desde 2016, a Natura oferece licença remunerada de 40 dias para homens que tenham filhos — benefício que pode ser estendido para 70 folgas consecutivas, caso o colaborador decida emendar o período de férias.

De forma ainda mais generosa, na Diageo, a controladora da Johnny Walker, os novos papais de qualquer filial no mundo podem ficar até seis meses afastados do trabalho. Para as mães, a política da empresa é a mesma.

No Brasil, o direito assegurado é de apenas 5 dias corridos, não necessariamente úteis, para trabalhadores do sexo masculino que tenham filhos, conforme o artigo 7 da Constituição Federal e no 473 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Existem algumas exceções. O artigo 71-A, por exemplo, permite a concessão de uma licença de 120 dias ao pai que adote sozinho uma criança, sem guarda compartilhada. O período é igual ao garantido às mães, atualmente.

De acordo com a consultoria Mais Diversidade, 30% das empresas brasileiras já oferecem uma licença paternidade estendida como benefício. Mas há um longo caminho a percorrer. Em entrevista ao CNN Brasil Business, a consultora sênior da empresa Elaine Terceiro, explica que o que tem sido feito ainda é muito pouco, considerando que ainda há muito tabu envolvido.

“Muitos pais ainda escolhem não sair da empresa por tanto tempo, mesmo tendo acesso a esse benefício, pelo machismo dos colegas, pelas críticas que terá de enfrentar, se sentem rechaçados e não se sentem confortáveis com a ideia”, explica.

Além disso, há um grande desequilíbrio nos papéis de gênero: as mulheres gastam em média 21 horas a mais do que os homens em serviços domésticos. “Enquanto a gente enxergar a licença-paternidade da forma como é hoje, não vai haver equidade. A gente precisa educar as pessoas sobre os papéis e buscar um equilíbrio nas horas que são gastas por cada gênero com esse tipo de trabalho”, disse.

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