PIB do 3º tri não reflete pandemia, mas política econômica, diz Schwartsman, ex-BC

PIB do trimestre é resultado de um conjunto de condições criadas pela política econômica, disse Alexandre Schwartsman à CNN

Raphael CoracciniJuliana Alvesda CNN

Em São Paulo

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O ex-diretor de Relações internacionais do Banco Central Alexandre Schwartsman disse à CNN nesta quinta-feira (2) que o governo está escolhendo desculpas para justificar o mau desempenho da economia brasileira ao longo deste ano.

A explicação para o resultado fraco da economia, segundo Schwartsman, “é que temos um conjunto de condições que se resume basicamente em problemas de política econômica, não é mais um problema de crise sanitária”.

Além de retirar o peso da pandemia sobre o resultado do terceiro trimestre, Schwartsman relativiza também o resultado da agricultura e sua influência sobre os números da economia nacional.

O ministro Paulo Guedes afirmou, nesta quinta, que o resultado do PIB no trimestre, com queda de 0,1%, era “um acidente de percurso” e relacionou o número a eventos climáticos que impactaram a safra.

“Quando a agricultura foi super bem no começo do ano eu não vi nenhum deles comentando que, se ela fosse mal, a economia não iria tão bem”, criticou Schwartsman.

Para ele, pandemia e resultado da agricultura são “desculpas de ocasião”. “O ministro pode escolhera desculpa que quiser”, afirmou. “O que a gente tem é uma economia que não cresce e sugere que 2002 vai ser muito ruim também”, completou o ex-diretor do Banco Central.

 

O ex-diretor do BC criticou ainda a dificuldade do governo em avançar nas reformas e permitir que inflação escapasse. “Estamos vendo aumento de taxa de juros” para alcançar a inflação, “o que acaba limitando consumo e investimento”, destacou.

Schwartsman vê dificuldades em retomar o crescimento por conta da limitação em aumentar a oferta de produtos no mercado.

“Ao menos que consiga fazer a oferta subir magicamente, é preciso controlar a demanda. A gente poderia fazer uma política de controle de gasto público, mas o Congresso está dando “100 bilhões para o governo federal gastar”, disse Schwartsman sobre o aumento dos gastos relacionados à aprovação da PEC dos Precatórios.

“Se (o país) crescer, a taxa de juros vai subir muito”, disse. “O resultado disso é que as pessoas vão sofrer”, concluiu.

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