Por dentro dos Correios, empresa que está na agenda de privatizações do governo

Expectativa em torno da privatização anima setores ligados ao e-commerce

Movimento no Centro de Tratamento de Encomendas dos Correios, em Benfica
Movimento no Centro de Tratamento de Encomendas dos Correios, em Benfica Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (18.set.2019)

Bruno de Oliveira, colaboração para o CNN Brasil Business

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Na mira da privatização, os Correios passam por um momento de transformação que já produz reflexos em seus resultados operacionais. Por causa do aumento das compras online no país durante a pandemia, a empresa registrou lucro líquido recorde de R$ 1,5 bilhão em 2020, e o desempenho fez com que os olhos do mercado se voltassem para o serviço de postagem.

A estatal se tornou ainda mais estratégica para a circulação de bens vendidos via e-commerce, setor que viu o número de pedidos avançar 65,7% até maio, na comparação com igual período do ano passado. Mas, para os Correios continuarem crescendo, é necessário modernizá-lo. 

“A adaptação às novas demandas é vista com bons olhos pelo mercado. Mas, se não modernizar ficará obsoleto e, assim, perderá espaço para outros players do mercado com serviço focado no e-commerce”, disse Enrico Cozzolino, analista da Levante Investimentos. “E perder espaço significa perder a oportunidade de receita.”

 De 2010 pra cá, os Correios tiveram lucro em patamar semelhante apenas em 2012, quando registrou R$ 1,113 bilhão. Já de 2013 a 2016, a estatal acumulou prejuízo de R$ 3,943 bilhões em meio a um cenário adverso ligado a rombos no principal plano de previdência da categoria, o Postalis, e no de saúde, o Postal Saúde.

Os dois planos foram alvo da Polícia Federal em investigações sobre corrupção.

A partir de 2017, a empresa começou a reverter os prejuízos, culminando no lucro líquido recorde obtido no ano passado. Com o resultado positivo, o patrimônio líquido da companhia cresceu 84% em relação a 2019, somando R$ 950 milhões.

O governo publicou em abril decreto presidencial que inclui os Correios no Programa Nacional de Desestatização (PND). O Estado pretende vender 100% da operação da empresa a um único comprador e também pretende seguir como responsável por parte do serviço postal, uma obrigação imposta à União pela Constituição de 1988. O texto, por ora, está sendo apreciado na Câmara.

Hoje os Correios tem presença em mais de 5,5 mil municípios por meio de 11,1 mil agências. Seu quadro de funcionários é composto por 98 mil trabalhadores.

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