Por pandemia, microempresários querem estender a Páscoa até junho

A campanha #pascoaatejunho conta com 3.000 publicações nas redes sociais

Loja em Brasília vende ovos de Páscoa: em 2020, em meio à pandemia de novo coronavírus, confeiteiros querem que data comemorativa vá até meio do ano (29.mar.2018)
Loja em Brasília vende ovos de Páscoa: em 2020, em meio à pandemia de novo coronavírus, confeiteiros querem que data comemorativa vá até meio do ano (29.mar.2018) Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Paula Forster

da CNN, em São Paulo

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“Para mim que sou microempreendedora, essa é sempre a melhor época, superando até o Natal. Mas este ano está muito fraco”, desabafa a confeiteira Fernanda Mocci Viviani sobre a baixa de encomendas de chocolates que têm recebido nesta Páscoa. A data cristã comemorada no próximo domingo (12) acontece em meio à pandemia da COVID-19. Com o reconhecimento da transmissão comunitária do vírus em todo o país, o ministério da Saúde recomenda que os governantes adotem medidas que evitem aglomerações e garantam o distanciamento social.

Sem comemorar a data do jeito tradicional, com família reunida e trocas de chocolates, os pequenos empreendedores do setor sentem os efeitos da baixa de vendas. Para tentar minimizar as consequências negativas no orçamento, uma campanha circula nas redes sociais para incentivar os consumidores a não cancelar os pedidos, mas adiar até o mês de junho. “Eu retirei a data limite de receber encomendas do meu cardápio”, conta Ana Laura Trevizani, formada em gastronomia e com um ateliê próprio de confeitaria na região do Jabaquara, zona sul de São Paulo.

Nas últimas três semanas, Ana Laura trabalhou na entrega de 70 pedidos, número bastante inferior as 350 encomendas que recebe em um ano favorável para a economia. Agora, resta a ela descansar para trabalhar nos pedidos que só serão entregues nos próximos meses.

A campanha #pascoaatejunho conta com 3.000 publicações nas redes sociais e surgiu de forma inesperada, a partir de um desabafo pessoal da chocolatier Renata Penido, que mora em Belo Horizonte, Minas Gerais, e trabalha com produção de chocolate há quase duas décadas. Há dois anos, se dedica à produção especialmente no período de Páscoa. “Meu ateliê fica no mesmo prédio da minha avó, que tem 96 anos. Tive que parar tudo, mas não queria abrir mão da data e também não poderia deixar de produzir”, diz Renata. O pedido de que as clientes estendessem as encomendas até junho, viralizou.

No entanto, não são todos os consumidores que aderem à ideia. A microempreendedora Fernanda Viviani enfrenta dificuldade em encontrar clientes que queiram receber os chocolates depois de 12 de abril. “Muitos não querem abrir mão da data. Minha produção está contada e será entregue agora. Além disso, tem muita gente optando por caixinhas de brigadeiro, ao invés de ovo de chocolate”, diz.

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A baixa de encomendas aos microempreendedores se reflete também nas vendas programadas por revendedoras de chocolates e de produtos de confeitaria. De acordo com o presidente da Chocolândia, Osvaldo Nunes, 3,74 milhões de quilos de chocolate foram compradas especialmente para esta Páscoa. No entanto, até agora vendeu apenas 35%. Ano passado, nesta mesma época, já estava na marca dos 85%. A queda não é surpresa se considerar que, em média, circulavam diariamente na loja 12 mil pessoas, e o fluxo foi reduzido para 5.000. “Esse ano, abrimos para a venda online também. É muito difícil trabalhar com esse serviço no segmento de chocolate em um país tropical, mas adaptamos cinco carros com refrigeração para o serviço de delivery”. A Chocolândia também vai aderir a Páscoa até junho, deixando os produtos à disposição nas prateleiras.

Os comerciantes que fornecem embalagens para estes produtos também estão confiantes. “Não iremos devolver nada de Páscoa para fornecedor nenhum, acreditando que conforme as coisas forem voltando ao normal as pessoas irão comemorar”, diz André Rizzo, dono de uma loja de embalagens da 25 de Março.

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