Por que a Smart Fit vai incorporar uma rede de academias de alta renda no México

Maior rede de academias da América Latina mostrou, mais uma vez, oportunismo para crescer via incorporações

Foto: DivulgaçãoSmart Fit

André Jankavski e Leonardo Guimarães,

do CNN Business, em São Paulo

Ouvir notícia

A Smart Fit nasceu como um braço da Bio Ritmo, academia voltada para os mais endinheirados. Afinal, não é nada barato pagar R$ 300 de mensalidade. Após o lançamento da Smart Fit, que cobra menos de R$ 100 por mês desde o início, a companhia encontrou o seu caminho. Não só encontrou como se consolidou como a maior empresa da América Latina –e o próprio nome da empresa tornou-se Smart Fit.

No entanto, nesta terça-feira (13), a Smart Fit anunciou a incorporação da rede mexicana Sports World, que foca exatamente nas classes A e B. Faz sentido esse movimento?

O próprio CEO da companhia, Edgard Corona, define a Sports World como uma “Bio Ritmo das antigas”. Mas alguns fatores explicam essa negociação. Primeiro é a oportunidade: a pandemia atingiu em cheio às academias de toda a América Latina. Com as quarentenas e lockdowns, a geração de caixa da companhia mexicana, que possui 57 unidades e 90 mil alunos, tornou-se até negativa, ou seja, a companhia sequer conseguia pagar as contas mais básicas. O valor de mercado da companhia caiu para cerca de R$ 160 milhões. 

A ordem dentro da Smart Fit é ir atrás dessas oportunidades de mercado. Recentemente, esse movimento foi feito na aquisição da Just Fit, uma rede com 27 unidades em São Paulo. Por aqui, todas serão convertidas em unidades da Smart Fit –a oportunidade de encontrar bons pontos de abertura pesou na decisão. Por lá, no entanto, menos de dez lojas das adquiridas recentemente serão convertidas em Smart Fit, já que a marca Sports World é forte no mercado local.

Ao contrário do Brasil, no México ainda há espaço para competidores na classe A, diz Corona. De acordo com ele, no Brasil (especialmente em São Paulo), houve uma expansão de maneira acelerada –e até desordenada– nesse segmento. Com isso, havia muitas academias de padrão A para consumidores que buscavam alternativas mais baratas, a exemplo da Smart Fit.

Eficiência é a palavra-chave 

Porém, a Smart Fit acredita que pode melhorar bastante as margens das unidades da Sports World. Especialmente, entendendo melhor como conseguir ocupar mais aulas, melhorar a distribuição (e até a quantidade de funcionários por unidade), mas também utilizando de outras ferramentas, como o uso dos aplicativos de saúde. O Queima Diária, plataforma online de exercícios que possui mais de 500 mil assinantes no Brasil, estreou no México há menos de 15 dias e deve ser importante na estratégia da empresa por lá. 

Em entrevista ao CNN Brasil Business, Edgard Corona disse que vai “levar a cultura” da Smart Fit para a Sports World, que tem muitos produtos e precisa simplificar sua operação. 

A ideia é levar um modelo que deu certo no Brasil: aulas preparadas com antecedência por um time central e compartilhadas com as academias, que contratam os professores para ajudar os alunos na execução dos planos. Assim, a rede precisa de menos profissionais e consegue fazer mais com menos. 

Com isso, a Smart Fit acredita que conseguirá até dobrar as margens que a companhia tinha antes da pandemia. Se antes, a Sports World tinha uma margem entre 15% e 20%, a Smart Fit consegue ter operações com percentuais entre 35% e 40%. 

Mas a recuperação não será tão rápida. Há muita incerteza ainda, mas Corona vê uma demanda pós-lockdown menor que a de 2019. Para crescer, porém, a aposta está na outra ponta: o empresário fala em oferta menor e, portanto, chances maiores de clientes procurarem uma academia de sua rede. 

Então, a compra da rede foi a vontade de treinar com a academia aberta –com o perdão do trocadilho. Como a situação da Sports World era bem complicada, a incorporação será benéfica para a Smart Fit, que deterá o controle da operação.

Smart Fit; Edgard Corona
Edgard Corona, CEO da Smart Fit
Foto: Divulgação/Smart Fit

Expansão internacional 

No México, caso a fusão seja aceita por órgãos controladores, a companhia terá cerca de 250 unidades. A expansão, no entanto, será sempre por meio da Smart Fit. No Brasil, são mais de 500 unidades da rede.

Segundo Corona, a companhia ainda está bem de caixa após o aumento de capital realizado no fim do ano passado. Por isso, não será necessário mais aportes na operação, pelo menos por agora. Logo, um IPO está descartado.

Além de Corona, os fundos CPPIB, do Canadá, e o brasileiro Pátria injetaram R$ 500 milhões na rede para recuperar os cofres. Mas ele lembra que a cada 12 a 14 meses, sempre há uma capitalização na empresa. “Nunca tivemos o caixa suficiente para o tamanho da oportunidade. O Brasil ainda não está com um mercado tão bom para uma abertura de capital”, diz Corona. 

Sobre novas compras, o executivo acredita que não existam tantos ativos assim à disposição. É claro que, se aparecerem oportunidades, a empresa vai atrás, desde que não consuma caixa. 

“Muitas empresas vão fechar, já que o mercado está em dificuldades”, diz Corona. E a Smart Fit quer aproveitar esses espaços em um mercado arrasado para crescer.

Tópicos

Mais Recentes da CNN