Preço de medicamentos vendidos a hospitais cai em julho após alta no 1º semestre

Segundo a pesquisa exclusiva para a CNN, esse é o segundo maior recuo mensal da série histórica do índice, iniciada em janeiro de 2015

O uso de medicamentos para tratar sintomas da Covid-19 deve ser orientado por um profissional da saúde
O uso de medicamentos para tratar sintomas da Covid-19 deve ser orientado por um profissional da saúde Foto: Christina Victoria via UnSplash

Camille Couto, da CNN, no Rio de Janeiro

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O preço dos medicamentos vendidos aos hospitais no Brasil registrou queda de 1,90% em julho após apresentar alta de 14,69% no primeiro semestre deste ano. Os dados são do Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), indicador criado pela Fipe em parceria com a Bionexo – health tech, líder em soluções digitais para gestão em saúde.

Segundo a pesquisa exclusiva para a CNN, esse é o segundo maior recuo mensal da série histórica do índice, iniciada em janeiro de 2015, ficando atrás apenas de setembro do ano passado, quando houve queda de 2,48%. 

O resultado ficou abaixo do comportamento do IPCA, índice oficial de preços (+0,96%), da taxa média de câmbio (+2,48%) e do IGP-M, usado para medir a inflação do aluguel (+0,78%), no período. O número de julho representa ainda o segundo mês consecutivo de recuo do índice, que já havia recuado 0,81% em junho.

Em julho, o comportamento do índice foi impactado pela oscilação negativa nos preços médios da maioria dos grupos de medicamentos, sobretudo os relacionados ao sistema nervoso (-8,94%), sistema musculoesquelético (-6,18%), anti-infecciosos gerais para uso sistêmico (-3,38%) e aparelho cardiovascular (-2,61%), entre outros.

Esses resultados superaram os avanços observados em outros grupos da cesta do índice, como em aparelho digestivo e metabolismo (+2,37%), imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (+1,40%), sangue e órgãos hematopoiéticos (+1,16%), órgãos sensitivos (+0,32%) e aparelho geniturinário (+0,14%).

Em 2021, o IPM-H registra uma elevação de 12,51%, influenciada pelo aumento observado em todos os grupos de medicamentos: sistema nervoso (+23,41%), preparados hormonais (+22,66%), sangue e órgãos hematopoiéticos (+20,64%), aparelho digestivo e metabolismo (+16,27%), sistema musculoesquelético (+15,79%), órgãos sensitivos (+11,47%), imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (+9,86%), anti-infecciosos gerais para uso sistêmico (+9,57%), aparelho cardiovascular (+8,78%), aparelho respiratório (+7,33%), agentes antineoplásicos (+5,99%) e aparelho geniturinário (+4,51%).

Já nos últimos 12 meses encerrados em julho, a elevação apurada no IPM-H (+8,37%) foi impulsionada pelas variações positivas registradas nos seguintes grupos: sangue e órgãos hematopoiéticos (+25,88%), sistema musculoesquelético (+18,88%), aparelho digestivo e metabolismo (+15,69%), preparados hormonais (+11,30%), imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (+9,93%), órgãos sensitivos (+9,67%), aparelho respiratório (+8,71%), sistema nervoso (+8,63%), agentes antineoplásicos (+6,59%) e aparelho geniturinário (+5,90%).
Em 2021, o IPM-H vem oscilando nos resultados. 

O resultado negativo de -1,90% em julho representa a segunda queda seguida — em junho, o índice registrou um recuo de -0,81% —após apresentar altas por três meses seguidos em maio (+1,73%), abril (+10,53%) e março (+1,72%). No início do ano, houve alta em janeiro (+1,32%) e queda em fevereiro (-0,23%). No total, houve três quedas e quatro altas até o momento em 2021.

O CEO da Bionexo, Rafael Barbosa, avalia que a variação cambial e o aumento rápido na demanda de medicamentos associados aos cuidados com os pacientes com Covid-19 influenciaram o cenário. Rafael informou que foi observado um aumento expressivo na primeira onda. Já no final do ano passado, os preços começaram a estabilizar. Com a chegada da segunda onda, no início deste ano, houve novamente um aumento na demanda e consequente elevação nos preços.

“O preço dos medicamentos vem oscilando desde o início da pandemia por fatores como variação cambial, que impacta no valor dos insumos médicos atrelados ao dólar; e ao aumento na demanda dos medicamentos associados à Covid-19. Durante a pandemia, observamos algumas ondas. Houve um aumento expressivo na primeira onda, enquanto no final do ano passado os preços começaram a estabilizar. No início deste ano, a segunda onda trouxe novamente um aumento na demanda e alta nos preços. Atualmente, ocorre uma redução na demanda e consequente queda nos preços. Assim, houve quatro momentos na pandemia: choque inicial de demanda com aumento nos preços, arrefecimento no fim do ano passado com queda na demanda, segunda onda no início deste ano e uma leve queda neste momento”, destacou.

O levantamento aponta que a pandemia do novo coronavírus e seus efeitos sobre a crises sanitária e econômica no país têm afetado os preços dos produtos pela combinação de vários fatores, entre eles o aumento da demanda dos sistemas de saúde, desabastecimento do mercado doméstico, efeitos cambiais e do preço de insumos.

 

 

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