Previsão para PIB do ano deve cair para perto de 5%, diz economista do BNP

PIB brasileiro teve leve queda de 0,1% no 2º trimestre deste ano, na comparação com os últimos três meses de 2020

da CNN*

Em São Paulo

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A perspectiva do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro crescer muito mais de 5% em 2021 não deve se concretizar, afirmou Gustavo Arruda, diretor de pesquisas para América Latina do BNP Paribas, à CNN nesta quarta-feira (1º).

Segundo ele, a economia brasileira deve ficar mais perto de 5% do que de 5,5%, previsão atual de alta do PIB do banco, que deverá ser revisada. Isso porque, segundo informou hoje o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB do país teve uma leve queda de 0,1% no segundo trimestre deste ano, na comparação com os últimos três meses de 2020. A mediana das expectativas do mercado apontavam para uma alta de 0,2%.

“Para este ano, deve ter uma revisão pontual, provavelmente vamos estar próximos de 5%, então não muda tanto a história, mas, olhando para a frente, sem dúvida existem ruídos”, avaliou Arruda.

“Eu diria que o mais importante é a discussão sobre o racionamento e a crise hídrica. Acredito que ninguém esteja colocando nas contas um racionamento sendo colocado em prática. Temos um risco porque ainda não se confirmou, mas se confirmar, PIBs que estão hoje na casa de 1,5%, 2% podem ir para zero.”

O resultado vem após três positivos do indicador, após o baque na atividade sofrido pela pandemia de Covid-19, que limitou a circulação de pessoas nas ruas. Em 2020, o PIB caiu 4,1% na comparação anual — pior resultado da taxa histórica, iniciada em 1996 –, com recuo de 2,2% no primeiro trimestre e tombo de 9,2% no segundo.

O IBGE destaca que, com a variação divulgada hoje, a economia brasileira mostra avanço de 6,4% no primeiro semestre. Nos últimos quatro trimestres, acumula alta de 1,8%, e na comparação com o segundo trimestre do ano passado, cresceu 12,4%. “O PIB continua no patamar do fim de 2019 ao início de 2020, período pré-pandemia, e ainda está 3,2% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica na série histórica, alcançado no primeiro trimestre de 2014”.

(*com informações de Ligia Tuon, do CNN Brasil Business, em São Paulo)

 

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