Produção agropecuária neutra em carbono pode se tornar possível em 20 anos, diz estudo

Metas de redução das emissões podem ser atingidas com a restauração de 15 milhões de hectares de florestas, alta produção de alimentos e geração de empregos

Mata Atlântica
Mata Atlântica Foto: Divulgação/SOS Mata Atlântica

Camille Coutoda CNN

no Rio de Janeiro

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A produção agropecuária na Mata Atlântica pode se tornar neutra em carbono dentro de 20 anos a partir de restauração florestal, desmatamento zero e práticas de baixo carbono, é o que aponta o estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, o Imaflora e o SEEG/Observatório do Clima.

Segundo os pesquisadores, as metas de redução das emissões de gases-estufa são viáveis e podem ser atingidas com a restauração de 15 milhões de hectares de florestas, alta produção de alimentos e geração de empregos.

No entanto, para que isso aconteça, o desmatamento zero precisa ser alcançado em 2030, juntamente com práticas de baixa emissão de carbono na produção agrícola e pecuária.

O levantamento indica que o setor de uso de terra da Mata Atlântica tem potencial de diminuir as emissões totais do bioma em até 6,28 GtCO2e entre 2005 e 2050. Esse valor alcança as emissões da Índia (3,346) e da Rússia (1,992) em 2018, terceiro e quarto maiores emissores do planeta, e ainda pode compensar um terço das emissões da França (0,361) por um período de 45 anos.

O diretor de Conhecimento da SOS Mata Atlântica, Luis Fernando Guedes Pinto, explica que as metas são possíveis, porém, dependem de medidas de governança e da adoção de melhores práticas por tomadores de decisão dos setores públicos e privados.

“As ações necessárias para atingirmos esse cenário combinam políticas de comando e controle e de incentivos conhecidas, mas que precisam ser plenamente implementadas ou aprimoradas, como o Código Florestal, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc), o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e Plano Safra, que, por sua vez, devem ser complementadas com vontade política internacional, nacional e subnacional, além de investimentos do setor privado. Não há barreiras tecnológicas para a sua implantação e já tivemos avanços nesse sentido nos últimos anos”, pondera.

Segundo o estudo, os estados, principalmente os que concentram 91% do total bioma, como Minas Gerais, Bahia, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul devem priorizar a substituição do uso de combustíveis fósseis por renováveis no transporte nas metrópoles, tratamento de resíduos (esgoto e lixo) nas cidades, associado à recuperação do metano, e geração de energia a partir de sua combustão.

Outras metas são o combate ao desmatamento, adoção da agricultura de baixo carbono com a recuperação de pastagens e solos degradados e pecuária mais eficiente; e restauração florestal e criação de áreas protegidas.

O estudo ainda mostra que embora abrigue 72% da população e 80% do PIB nacional, as emissões per capita e por unidade do PIB da Mata Atlântica foram de três a cinco vezes menores que as médias do Brasil entre 2000 e 2018. Isso revela uma menor emissão de carbono per capita do bioma em relação à população e à economia do país.

O bioma também apresentou uma das menores taxas de crescimento das emissões quando comparado aos demais biomas (9%), com maior eficiência produtiva por emissão, especialmente da pecuária.

Ela é considera o segundo bioma mais importante em relação às remoções de gases de efeito estufa da atmosfera, principalmente em função do aumento das remoções por regeneração da vegetação secundária, girando entre 10% e 15% das emissões brutas anuais.

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