Produtor conseguirá administrar escassez de insumos, diz diretor da CNA

Bruno Lucchi acredita que 2022 será uma safra recorde para o agronegócio

Ingrid Oliveirada CNN

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Apesar das incertezas para o agronegócio em 2022, Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), acredita que o setor irá se adaptar ao cenário adverso.

O negócio já movimentou U$ 102 bilhões de janeiro a outubro deste ano — apesar da queda de 9% do PIB no terceiro trimestre, devido, sobretudo, à crise energética e à seca que o país enfrenta.

“Problemas pontuais com o clima podem aparecer no Sul do país, com a questão de La Niña, mas a gente acredita que o produtor vai conseguir fazer bem o manejo de fertilizantes e defensivos como um todo”, diz Lucchi.

O setor enfrenta a alta dos custos da produção, com destaque para os fertilizantes, dos quais 80% são importados e acabam sofrendo com o câmbio desvalorizado.

Além dos gastos maiores, o agricultor deve continuar enfrentando incertezas, destaca o especialista, com o gargalo no setor de logística global, com a crise energética que atinge diversos países global, questões geopolíticas, como sanções à Bielorrússia, de onde o Brasil importa 30% do cloreto de potássio, e outras questões que fogem do controle do produtor.

“Não existe uma receita de bolo, cada propriedade é uma realidade. O que a gente orienta é uma boa análise de solo para saber o que pode reduzir, substituir adubação menos exigente. Há várias formas de o produtor conseguir equilibrar a produção no próximo ano.”

Analisando o ano de 2021, Lucchi conta que os principais produtos exportados foram: soja, incluindo grãos e farelo, além do café e etanol.

A China, maior comprador, importou não só a soja, seus derivados, mas proteína animal (carne bovina). “Agora, o que chama atenção é a questão da Indonésia e da Tailândia, sendo os principais países que ampliaram o comércio com o Brasil. Isso é necessário para reduzir a dependência de outros compradores.”

Safra recorde

O Brasil deve ter uma safra recorde de grãos em 2022. A expectativa da CNA é de uma produção de 289 milhões de toneladas, 14% a mais que a safra 2021/22.

Mas, para aumentar a produtividade, os agricultores terão um dos custos mais altos da história. A consequência? Os gastos com produção devem achatar o lucro de maneira geral.

Em 2021, o produtor rural já conviveu com um aumento de mais de 100% nos custos com fertilizantes e defensivos para culturas como soja e milho e a tendência é de que este quadro se mantenha em 2022.

Para a CNA, outro fator que merece atenção é o desempenho da economia brasileira. Incertezas no mundo econômico devem influenciar o agronegócio no ano que vem.

Por conta disso, a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio cresça em ritmo mais lento, ficando entre 3% e 5% abaixo do que foi registrado neste ano. Em comparação com o ano de 2020, o PIB do agronegócio deve fechar com expansão de 9,37%.

Para o Valor Bruto da Produção (VBP), que mede o faturamento “da porteira para dentro” na agricultura e na pecuária, a expectativa da CNA é que a elevação de receita ocorra em menor ritmo frente a anos anteriores.

O VBP deve ser de R$ 1,25 trilhão em 2022, crescimento de 4,2% em relação a 2021. Culturas como café, milho e trigo devem ter produções maiores e cana-de-açúcar, café e algodão deve ter elevação nos preços. Por outro lado, soja, carne bovina e arroz devem sofrer quedas no Valor Bruto da Produção.

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