Queda da gasolina tem impacto discreto na inflação, diz especialista da FGV

André Braz espera IPCA elevado em dezembro por conta da retomada das exportações de carne bovina para a China

Abastecimento de combustível
Abastecimento de combustível REUTERS/Max Rossi

Stéfano Sallesda CNN

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A queda de R$ 0,07 no preço do litro da gasolina, que começa a valer nesta quarta-feira (15), deve ter impacto discreto na inflação de dezembro. Bem menor que o da esperada alta nos valores praticados na comercialização da carne bovina, após o fim do embargo sanitário da China ao produto de origem brasileira.

Segundo André Braz, coordenador do Índice de Preços do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre), o comportamento dos preços dos dois tipos de produtos será bem diferente.

Embora o anúncio da Petrobras seja de queda de 3% no preço do combustível, ele deve se refletir em variação de apenas 1% nas bombas.

“O preço da gasolina é muito influenciado também pelo etanol anidro, que está presente com 27% da composição do litro vendido nos postos. Ele sofre com a alta da cana-de-açúcar, por conta das secas que afetaram a última safra. Voltou a chover em outubro, mas o ciclo de produção é longo e, assim, não há nenhuma previsão de refresco”, afirma o economista.

A gasolina é um produto de consumo familiar, diferente do que acontece com o diesel. Contudo, esse combustível não apresentou redução de preços, o que poderia ter um impacto mais forte na economia.

“A queda do preço da gasolina será um componente apenas residual, porque é uma variação muito baixa, e que só vai valer na metade do mês, uma vez que os preços vigoraram na tabela anterior até 14 de dezembro. Com o diesel seria um pouco diferente, porque ele é usado no frete de mercadorias e no transporte público. Mas dependeria também do grau de redução para que o impacto fosse significativo”, pondera.

Com relação ao embargo à carne brasileira, que já durava quatro meses, a expectativa é que a retomada das exportações pressione os preços também no mercado interno.

A China é a principal compradora da mercadoria brasileira e, sem ela, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o volume de exportações caiu 43% em relação ao mesmo período de 2020.

“Certamente haverá alta no mercado interno, interrompendo uma queda bem pequena detectada nas últimas semanas. A alta da carne deve ser um dos destaques da inflação de dezembro. Esperamos algo entre 0,75% e 0,80% para o mês. É um patamar mais baixo que o de novembro (0,95% no IPCA), mas ainda elevada para os padrões de dezembro”, conclui.

Caso a projeção se confirme, o Brasil terminará 2021 com a inflação oficial em dois dígitos, o que não acontecia desde 2015 (10,67%). Antes disto, a ocorrência anterior havia sido em 2002 (12,53%).

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