Reabertura de comércio de rua tem movimento intenso no centro de São Paulo

Com a flexibilização, os estabelecimentos de rua podem funcionar das 11h às 15h diariamente

Movimentação intensa em lojas da Rua 25 de Março, área de comércio popular no centro de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (10)
Movimentação intensa em lojas da Rua 25 de Março, área de comércio popular no centro de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (10) Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo

Reuters

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Ruas cheias e somente parte das lojas com as portas abertas foi o cenário da retomada das atividades do comércio na região central da capital paulista, nesta quarta-feira (10), dia em que foi permitida a volta ao funcionamento das lojas de rua, após um longo período de fechamento por causa das medidas de contenção da Covid-19.

Na Rua 25 de Março, região de comércio popular no centro da cidade, funcionários de lojas com máscaras de proteção indicavam aos clientes, que também usavam o equipamento obrigatório, que passassem álcool em gel nas mãos, além de medir a temperatura e controlar o acesso dos consumidores aos estabelecimentos.

Por decisão do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), os estabelecimentos podem voltar a funcionar com restrições na cidade, a exemplo do horário reduzido de funcionamento e obrigatoriedade da adoção de limites ao número de clientes atendidos simultaneamente nos estabelecimentos.

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“Na verdade eu fico com medo, sim, porque está aumentando, mas ao mesmo tempo a gente precisa sair, precisa trabalhar, precisar comprar as coisas para vender. É uma mistura de medo, mas a gente precisa sair. Mas sempre protegida, álcool em gel, máscara”, disse a vendedora Vanessa Pereira à Reuters, que comprava produtos para revenda.

Havia grande movimento na região nesta quarta-feira (10). Os estabelecimentos de rua só podem funcionar entre 11h e 15h diariamente.

“A gente sabe que é um pouco mais lento. Todo mundo, no caso, está voltando um pouco receoso, principalmente os nossos clientes, a gente sabe disso. Mas tomamos todas as medidas, todas as cautelas para ter uma grande segurança aqui na loja”, disse Valdemar Ferreira, gerente de um dos estabelecimentos comerciais da região, à Reuters TV.

Reabertura na capital paulista

A cidade de São Paulo tem desde 1º de junho o aval do governo do estado para liberar o funcionamento do comércio de rua, de shoppings centers, de concessionárias de veículos, de imobiliárias e de escritórios. Covas já havia acertado com os setores a reabertura dos escritórios e das concessionárias. O comércio de rua e as imobiliárias retomaram as atividades nesta quarta, e a expectativa é que os shoppings centers voltem a operar na quinta.

A reabertura vem em um momento em que a capital registrou queda no número de novos casos e novas mortes causadas pela Covid-19 e que também conseguiu reduzir a ocupação de leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) com a abertura de hospitais, instalações de novos leitos públicos e a contratação de leitos do setor privado.

No período entre 26 de maio e 1º de junho, a cidade registrou 17.146 novos casos e 884 mortes causadas pela Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus. Nos sete dias seguintes, o número de novos casos caiu para 15.864 e o de novos óbitos para 640, segundo boletins diários da Secretaria de Saúde do município.

Além disso, a ocupação de leitos de UTI, que estava em 85% no informe divulgado no dia 26, caiu para 67% no boletim divulgado pela pasta na terça-feira (9). De acordo com o boletim epidemiológico, a cidade tem 84.862 infecções confirmadas de Covid-19, com 4.945 mortes.

A reabertura do comércio de rua na capital paulista, às vésperas do Dia dos Namorados, acontece no mesmo dia em que o estado de São Paulo registrou pelo segundo dia seguido um recorde no número de mortes diárias pela Covid-19, com um acréscimo de 340 novos óbitos nesta quarta. De acordo com autoridades estaduais de saúde, a epidemia está em um processo de se espalhar da região metropolitana para o interior do Estado.

Apesar da reabertura do comércio de rua nesta quarta e da provável volta dos shoppings na quinta, Covas tem insistido que a cidade de São Paulo permanece em quarentena para conter a disseminação do coronavírus e tem reiterado o apelo para que a população mantenha as medidas de precaução.

“Nós conseguimos controlar a disseminação do vírus, mas ele ainda é uma realidade a ser enfrentada”, afirmou Covas, em um vídeo divulgado na terça-feira (9) para anunciar a reabertura do comércio de rua.

“Eu queria pedir à população mais uma vez que evite deslocamentos desnecessários, que evite aglomeração, que continue a utilizar máscara, que continue a utilizar álcool em gel, a lavar as mãos a evitar tossir nas mãos. Ou seja, todos os cuidados permanecem para que a gente possa manter os índices na cidade de São Paulo”. 

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