Recuo nas vendas do varejo foi inesperado, avalia assessor da Fecomercio

Em entrevista à CNN Rádio, André Sacconato disse que as instabilidades econômicas e políticas contribuíram para a queda de 1,7% em junho

Saara, centro de comércio popular no Rio de Janeiro, após reabertura das lojas no início de abril
Saara, centro de comércio popular no Rio de Janeiro, após reabertura das lojas no início de abril Foto: Tânia Rêgo /Agência Brasil (9/04/2021)

Amanda Garcia,

da CNN Rádio

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O recuo de 1,7% de maio para junho nas vendas do comércio varejista “foi inesperado”, segundo o assessor da Fecomercio-SP, André Sacconato, em entrevista à CNN Rádio nesta quarta-feira (11).

“Era esperado um aumento de 1,2%, seguindo a abertura da economia, especialmente por causa do avanço da vacinação contra a Covid-19 e o crescimento econômico que vinha aparecendo também”, disse.

No entanto, de acordo com ele, fatores começaram a atrapalhar o comércio. “A inflação alta, o mercado de trabalho ainda com uma retomada muito fraca, com 15 milhões de desempregados, e agora as incertezas fiscais – como o problema com os precatórios – e políticas – a exemplo da PEC do voto impresso, que foi solucionada ontem.”

“Todo o cenário de agora prejudica a economia, infelizmente”, lamentou.

 André Sacconato ainda acredita que a vacinação de toda a população acima de 18 anos pode não ter um impacto tão positivo na economia: “Se me perguntasse a dois meses atrás, diria que prevaleceria a parte boa, especialmente no setor de serviços, mas estamos vendo as condições deteriorarem.”

Ele relatou que empresários que tinham investimentos planejados resolveram adiar suas intenções devido às incertezas. “Há empresários que estão esperando para ver o que vai acontecer, tem alguns que vão esperar até a eleição do ano que vem, isso é muito ruim para a economia.”

Mesmo assim, ele diz que “a expectativa ainda é positiva” para o varejo, mas ressaltou: “É positiva, mas é mais moderada por causa dos acontecimentos econômicos e políticos, se houvesse estabilidade, as datas que vem por aí, como o Natal, iriam potencializar as vendas.”

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