Recuperação da economia foi atenuada, diz presidente do Banco Central

A avaliação é diferente da visão do ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem repetido que a recuperação em V continua e continuará forte

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, apresenta medidas de combate aos efeitos da COVID-19
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, apresenta medidas de combate aos efeitos da COVID-19 Foto: Raphael Ribeiro - 23.mar.2020/BCB

Anna Russi, da CNN Brasil, em Brasília

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, admitiu que, apesar do formato em ‘V’, a recuperação econômica do Brasil perdeu força no final do movimento. A avaliação é diferente da visão do ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem repetido que a recuperação em V continua e continuará forte. 

“Tivemos um formato muito parecido com V, mas, obviamente, é um V que, no final da recuperação, atenuou”, disse nesta quinta-feira (15), em evento virtual promovido pela ABFintechs. 

 

Ainda assim, Campos Neto viu uma “surpresa positiva” sobre a resiliência da economia brasileira. “Quando olhamos os dados mais anedóticos para tentar ver o que está acontecendo na ponta, tanto energia elétrica, como veículos e cartão de crédito mostram uma queda bem menor do que a registrada na primeira onda”, completou. 

O chefe da autoridade monetária também comentou sobre a pressão inflacionária mundial, especialmente no preço de alimentos, consequência da alta das commodities. “A inflação em 12 meses vai atingir número bem alto no meio do ano, com o pico. […] Vemos contaminação de 2021 nas expectativas para 2022”, observou.

Assim, ele voltou a justificar o início do processo de elevação do juros básicos para controlar a alta nas expectativas da inflação. “Aumentando mais no início, evitamos essa contaminação da inflação, que é temporária, e a alta final será menor”, repetiu.

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