Reforma administrativa não aborda desigualdade entre servidores, diz economista

Ana Carla Abrão disse que, ao optar por tratar apenas de novos servidores, reforma deixa de abordar ponto importante

Da CNN, em São Paulo

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O governo anunciou nesta terça-feira (2) que irá enviar para o Congresso sua proposta de reforma administrativa, cujos principais pontos foram adiantados pela CNN. A especialista em funcionalismo público Ana Carla Abrão, economista e socia da Oliver Wyman, disse que a escolha por tratar apenas de novos funcionários públicos não ataca a desigualdade entre os servidores de topo e da base.

“Temos que lembrar que a desigualdade salarial no serviço público é enorme. A diferença do topo do funcionalismo para servidores da educação, saúde e segurança pública é enorme. Essa massa ganha pouco enquanto temos uma elite que não respeita nem o teto salarial constitucional.”

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Ana Carla Abrão
A economista Ana Carla Abrão
Foto: CNN (02.set.2020)

Ana Carla estima que, com a proposta do governo, as distorções salariais vão depender da troca de todos os funcionários públicos atuais, o que deve levar cerca de 20 anos para ocorrer.

“Ao optar por focar só no futuro, a reforma administrativa deixa de olhar o modelo atual e atacar uma série de privilégios. São penduricalhos, promoções automáticas e dispositivos que fazem com que o gasto com pessoal cresça.”

(Edição do texto: Paulo Toledo Piza).

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