Reforma pode piorar complexidade tributária, diz Henrique Meirelles

À CNN Rádio, o secretário de estado da Fazenda de SP avaliou que texto se preocupa em aumentar a arrecadação federal e "complica a vida" de todo mundo

Henrique Meirelles , secretário estadual da Fazenda de São Paulo (08.fev.2021)
Henrique Meirelles , secretário estadual da Fazenda de São Paulo (08.fev.2021) Foto: Reprodução/CNN

Amanda Garcia, da CNN Brasil

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A proposta do Governo Federal para a reforma tributária que está em tramitação no Congresso Nacional “se preocupa apenas em aumentar a arrecadação federal e pode até piorar a complexidade tributária”, segundo Henrique Meirelles, em entrevista à CNN Rádio nesta terça-feira (27).

O secretário da Fazenda do estado de São Paulo disse que a reforma deveria combater justamente esse emaranhado burocrático. “O Brasil é onde as pessoas gastam mais tempo pagando imposto, é burocracia, papel, formulário. Não se pode esquecer a parte complexa que prejudica empresas e cidadãos que é o ICMS e ISS. O ideal é um imposto só, se não for possível, se cria uma solução boa, o IBS para estados e municípios, que é o ICMS e o ISS, e o imposto federal, mas com o pressuposto de não aumentar a carga tributária”, analisou.

Ele afirma que “não é cabível aumentar mais ainda a carga tributária que incide sobre os brasileiros.”

De acordo com Meirelles, a proposta de redução da alíquota do imposto de renda diminui o imposto que o governo federal reparte com os estados e aumenta a arrecadação dos que não são compartilhados com as unidades federativas. “Em São Paulo, a perda é de R$1,1 bilhão, caso seja aprovada. Complica a vida de todo mundo e retira receita dos estados, só para financiar a máquina pública federal em ano eleitoral.”

Retomada do crescimento

Para Meirelles, neste momento de retomada econômica, o ideal é “não gerar confusão na tributação”, mas ele reforçou que a grande responsável pela recuperação é a vacina.

“O nome do crescimento econômico chama-se vacina, à medida que aumenta, faz com que tenhamos uma perspectiva de recuperação na economia brasileira que é boa, mas não crescerá tanto no decorrer de 2021, por causa da queda do ano passado”, disse.

O secretário ainda pediu atenção com a inflação, que “está muito alta e prejudica o crescimento”, e a “falta de confiança que passa a existir na sociedade em função da falta de direção econômica clara, com combate ao déficit público e incentivo ao investimento e criação de emprego.”

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