Reforma trabalhista manteve empregos e direitos, diz representante de lojistas

Representante dos dirigentes lojistas disse à CNN que a reforma trabalhista evitou quadro mais grave de demissões, mas admitiu rediscutir alterações na lei

Raphael CoracciniJuliana Alvesda CNN

Em São Paulo

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A reforma trabalhista manteve empregos e direitos aos trabalhadores, o que ajudou a atenuar os prejuízos durante a pandemia, disse o presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), José César da Costa, à CNN nesta terça-feira (18).

“Entendemos que todos os direitos foram preservados”, disse o empresário. “A reforma não trouxe prejuízo, ela preservou tudo que está na Constituição, férias, décimo terceiro (salário), indenizações”, completou o empresário.

Ele destaca o papel da negociação direta entre patrão e empregado como fator que permitiu a manutenção de empregos. “Isso oportunizou, desenvolveu mais nosso país. Passamos por um momento delicado, que foi a pandemia, que modificou muito a forma de se pensar, fazer e trazer resultados”, disse.

Para Costa, a negociação direta permitiu flexibilizar a relação entre patrão e empregado “para que ele [empregado] pudesse dar mais daquilo que ele pode dar e que pudéssemos investir mais nas nossas empresas e negócios, criando oportunidades”.

Outros destaques da reforma trabalhista, segundo Costa, foram a viabilização do home office e o reconhecimento do delivery, que acabaram permitindo a continuidade de algumas operações no comércio e outros setores durante a pandemia.

Ele admitiu, porém, que muitos dos empregos criados na pandemia foram por ocasião do crescimento da informalidade, o que afasta o trabalhador dos direitos garantidos pela lei trabalhista.

“Foi uma forma de absorver muitos daqueles que perderam emprego”, afirmou. “Quando se fala de desemprego, esquecemos de buscar essas pessoas que estão tentando uma vida própria, que usaram seus recursos na sua demissão, que muitas vezes não foi muito, mas que permitiu comprar uma moto, montar uma cozinha”, explicou.

José César da Costa, presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) / Reproduação/CNNBrasil/18.jan.2022

Mudanças na reforma

Costa disse que os lojistas concordam em rediscutir pontos da reforma trabalhista, com a condição de que “os dois lados saiam ganhando”, disse o dirigente, e que as propostas de alterações na lei sejam amplamente discutidas.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2022, disse, em suas redes sociais, que o Brasil deveria “acompanhar de perto o que está acontecendo na reforma trabalhista da Espanha”.

A presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, elogiou a iniciativa espanhola em um post no Twitter e se mostrou favorável a mudanças na reforma trabalhista brasileira.

Para Costa, o PT deveria ser mais explícito sobre as mudanças que gostaria de fazer na reforma.

O dirigente afirmou que há espaço para mudanças na reforma, e que os lojistas estão “prontos para ouvir” as propostas de alteração.

“Gostaria que fossem mais objetivos naquilo que é possível construir. Estamos prontos para construir um novo processo”, disse Costa.

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