Reino Unido pode aumentar taxa de juros após pior inflação dos últimos dez anos

Impulsionada por custos mais altos de energia e transporte, a inflação no país subiu 4,2% no ano até outubro: o maior salto desde novembro de 2011

Britânicos celebram saída do Reino Unido da União Europeia
Britânicos celebram saída do Reino Unido da União Europeia Foto: Henry Nicholls - 31.jan.2020 / Reuters

Mark Thompsondo CNN Business

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O Reino Unido parece estar destinado a se tornar a primeira grande economia europeia a aumentar a taxa de juros desde o início da pandemia de Covid-19. Isso porque dados da inflação britânica mostraram que os preços tiveram a disparada mais rápida dos últimos dez anos.

Impulsionado por custos mais altos de energia e transporte, o Índice de Preços ao Consumidor do Reino Unido subiu 4,2% no ano até outubro, de acordo com dados oficiais divulgados quarta-feira (17). Esse é o maior salto no índice desde novembro de 2011.

Uma rápida recuperação na demanda após o afrouxamento das restrições da Covid-19, a escassez de bens e trabalhadores e os crescentes custos de energia estão elevando os preços em todo o mundo.

O Reino Unido também está sentindo as consequências do Brexit, o que aumenta o custo de fazer negócios com a União Europeia, seu maior parceiro comercial.

Inflação

Os dados de inflação de outubro foram ainda mais altos do que os analistas esperavam. A libra subiu em relação ao dólar e atingiu seu nível mais alto em relação ao euro desde fevereiro de 2020, com os investidores apostando em um aumento nas taxas de juros do país.

“A surpresa positiva nos dados de inflação de outubro apoia nossa expectativa de que o Banco da Inglaterra subirá a taxa bancária em 15 pontos base para 0,25% em sua próxima reunião do comitê de política monetária em 16 de dezembro”, escreveu Kallum Pickering, economista sênior da Berenberg, em uma nota.

Taxas de juros oficiais mais altas podem aumentar o custo dos empréstimos para empresas e famílias, bem como encorajar as pessoas a economizar mais, tirando um pouco do calor da inflação.

O Banco da Inglaterra cortou as taxas de juros para uma baixa recorde de 0,1% em março de 2020 como parte de um pacote de medidas de emergência para apoiar a economia após o colapso da atividade por causa da pandemia.

Os investidores esperavam que o banco central britânico começasse a aumentar as taxas quando se reuniu no início deste mês.

Em vez disso, optou por manter o curso enquanto esperava por mais dados sobre o mercado de trabalho, com medo de que o desemprego pudesse aumentar devido ao término do apoio do governo aos empregadores em razão da Covid-19.

Algumas dessas preocupações devem ter sido amenizadas pelas notícias na terça-feira de que o desemprego no país caiu para 4,3% em setembro, mesmo com o encerramento do programa de licença do país.

“Quando combinado com a divulgação mais recente do mercado de trabalho, o salto maior do que o esperado na inflação em outubro torna um aumento da taxa de juros em dezembro ainda mais provável”, disse Paul Dales, economista-chefe da Capital Economics.

A inflação agora atinge o dobro da meta de 2% do Banco da Inglaterra, enquanto o crescimento econômico está desacelerando, levantando o espectro de um período de “estagflação”. O economista-chefe do próprio banco central já alertou que a inflação pode subir acima de 5% no início de 2022 .

Os custos de transporte desempenharam um grande papel no último aumento da inflação. O UK Office for National Statistics disse na quarta-feira que os preços médios da gasolina — que atingiram um recorde no final do mês passado — saltaram 22% no ano até outubro, para 138,6 pences por litro (cerca de US$ 8,50 por galão).

(Texto traduzido. Leia o original aqui)

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