Republicanos pressionam Biden para reduzir pacote de US$ 1,9 trilhão

Pacote trilionário anunciado por Biden prevê verbas para vacinas contra a Covid-19 e reduzir impactos econômicos da pandemia. Congressistas questionam custos

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Por Sarah N. Lynch e Jarrett Renshaw,

da Reuters

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Dez senadores republicanos moderados dos EUA abriram conversas com o presidente Joe Biden, neste domingo (31), para convencê-lo a reduzir significativamente o pacote de US$ 1,9 trilhão de ajuda contra os efeitos da Covid-19 no país. O grupo argumenta que, assim, Biden ganhará apoio bipartidário enquanto os democratas no Congresso se preparavam para levar adiante o plano nesta semana.

Biden respondeu à abertura convidando os legisladores republicanos à Casa Branca para conversações, disse a porta-voz Jen Psaki, embora ele continue buscando uma medida abrangente e em grande escala.

“Com o vírus representando uma grave ameaça para o país e as condições econômicas sombrias para tantos, a necessidade de ação é urgente e a escala do que deve ser feito é grande”, disse Psaki em um comunicado.

 

Biden falou com a senadora republicana Susan Collins no domingo, disse Psaki, pedindo a ela e aos outros republicanos que fossem à Casa Branca para “uma troca completa de pontos de vista”.

Anteriormente, um importante conselheiro econômico da Casa Branca sinalizou disposição para discutir as ideias levantadas pelos republicanos, que lançaram uma alternativa de US$ 600 bilhões.

Mas Brian Deese, diretor do Conselho Econômico Nacional, disse à emissora NBC que o presidente democrata não estava disposto a fazer concessões sobre a necessidade de um projeto de lei abrangente para enfrentar a crise de saúde pública e os efeitos econômicos.

A aprovação da nova legislação de socorro não afetaria apenas os americanos e empresas cambaleando durante uma pandemia que matou cerca de 440.000 pessoas nos Estados Unidos, mas ofereceria um teste inicial da promessa de Biden de trabalhar para reduzir a divisão partidária em Washington.

Biden e outros democratas estão tentando usar seu controle da Câmara dos Representantes e do Senado para avançar rapidamente no objetivo principal do presidente de lidar com a pandemia.

O líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, disse que a Câmara começaria os trabalhos já nesta semana. A presidente da Casa, Nancy Pelosi, disse que o Congresso completaria uma etapa preliminar antes do final da semana.

Biden, que assumiu o cargo em 20 de janeiro, propôs US$ 160 bilhões para vacinas e testes, US$ 170 bilhões para escolas e universidades e fundos para dar a certos americanos um cheque de estímulo de US$ 1.400 por pessoa, entre outras disposições.

Alguns republicanos questionaram os custos gerais, enquanto outros pediram medidas mais direcionadas, particularmente em relação aos pagamentos diretos a indivíduos. O Congresso aprovou US $ 4 trilhões em alívio contra a Covid-19 no ano passado.

 

Menos financiamento escolar

Em sua carta a Biden, Collins, Lisa Murkowski, Mitt Romney e sete outros senadores pediram ao presidente uma reunião e disseram que seu plano de compromisso poderia ser aprovado rapidamente com o apoio bipartidário, prometendo mais detalhes na segunda-feira.

Eles disseram que seu pedido inclui assistência mais direcionada para famílias necessitadas e fundos adicionais para pequenas empresas, ao mesmo tempo em que concordam com os US$ 160 bilhões de Biden para mais financiamento para aumentar vacinas e testes. Eles também apontaram para o dinheiro não gasto de contas de alívio anteriores da Covid-19.

“Estamos voltados para as necessidades do povo americano”, disse o senador Bill Cassidy, um dos dez republicanos, ao programa “Fox News Sunday”.

Cassidy acrescentou que seu plano inclui menos financiamento escolar, dizendo que muitas escolas privadas já foram reabertas e que “o verdadeiro problema são as escolas públicas” e “sindicatos de professores dizendo a seus professores para não trabalharem”.

Os 10 republicanos, que também incluemRob Portman, Shelley Moore Capito, Todd Young, Jerry Moran, Mike Rounds e Thom Tillis, endossaram manter o auxílio-desemprego federal extra em meio à pandemia a US$ 300 por semana, contra a proposta de Biden de US$ 400. Portman questionou a necessidade de extensão do plano Biden de aumento da ajuda ao desemprego até setembro, observando: “não sabemos como será a economia” então.

Os Estados Unidos lideram o mundo em casos e mortes de Covid-19 por uma grande margem. Especialistas em saúde pública pediram um aumento imediato dos esforços de vacinação atrasados, à medida que novas variantes problemáticas do novo coronavírus emergem.

Com US$ 1,9 trilhão, o plano de Biden “é dimensionado para ter o poder de finalmente colocar essas duas crises para trás”, disse Jared Bernstein, membro do Conselho de Consultores Econômicos de Biden ao “Fox News Sunday”, referindo-se ao controle de vírus e alívio econômico.

Biden “está absolutamente disposto a negociar”, acrescentou Bernstein, mas disse que mais detalhes da proposta dos republicanos são necessários.

Alguns democratas moderados também pediram mudanças no pacote de Biden, enquanto os democratas mais liberais querem mais gastos e outras disposições, como um aumento do salário mínimo federal para US$ 15 por hora – mais do que o dobro da atual taxa de US$ 7,25 por hora.

Com o Senado dividido em 50/50 entre os dois partidos e oavice-presidente Kamala Harris detendo o voto de desempate, os democratas estão considerando usar uma ferramenta parlamentar chamada “reconciliação”, que permitiria à Câmara aprovar a legislação com maioria simples. Segundo as regras do Senado, a legislação geralmente exige 60 votos para ser aprovada.

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